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Por razões de espaço, a organização das Jornadas não poderá aceitar mais do que 150 inscrições. 

Quando esse número for atingido, a organização das Jornadas assinalará o facto neste site.

 

 

No seguimento da profunda, intensa e interdisciplinar reflexão feita no I Congresso Internacional A Morte: Leituras da Humana Condição, decidiu o IEAC-GO, a convite da Câmara Municipal de Viseu e em parceria com este município, sem abandonar o âmbito reflexivo por aquele Congresso convocado, e mantendo o seu carácter pluridisciplinar, promover umas Jornadas de pendor mais prático e formativo, com uma forte componente pedagógica.

Arrostar a morte – a do outro, ou a iminência da própria – corresponde habitualmente a um momento de pura e intensa perplexidade e pode ser um foco de angústia extrema. Na realidade, a morte é o acontecimento que, sendo embora o lote da existência humana, constitui a fonte de maior escândalo a respeito dela; sendo certa, é, de algum modo, sempre incerta, não só porque o seu momento nos é desconhecido, nos apanha de surpresa, algo que já se encontra parcialmente expresso no adágio latino mors certa, hora incerta, mas também porque o próprio sentido dela simultaneamente nos deixa atónitos e é capaz de incendiar em nós as perguntas mais pertinentes e mais originárias a propósito da própria experiência de se estar vivo. Lidar com a morte é, sempre, ser confrontado com a pergunta pelo significado extremo da própria vida enquanto tal, pelo que há de totalizante na condição humana.

Por tudo isto, um autêntico discurso sobre a morte está naturalmente dificultado: em primeiro lugar, porque a morte não é um acontecimento originalmente linguístico, e o que se diga sobre a morte é, quando alguém nos morre e nos é querido, inútil e despropositado; noutros termos, a morte vive-se a partir do cerne da intimidade pessoal, e as palavras acerca dela são sempre de algum modo superficiais, externas: de facto, o que a morte tira, e que pode parecer tudo, o discurso sobre a morte não repõe.

No entanto, ao mesmo tempo, e precisamente por isso, impõe-se falar sobre a morte. Não numa sua abordagem banalizadora, como quando sujeita a uma exposição crua em termos de imagem. Antes no sentido em que a sua realidade não deve ser escondida, porque acabará por emergir na vida de cada um. A morte não é inefável. Dada a sua dimensão existencial omniabarcante, a morte não pode ser silenciada: do ponto de vista antropológico, há abordagens da morte que, tanto quanto possível, são de certo modo preparatórias dela ou, até, terapêuticas, depois da sua ocorrência no meio envolvente do sujeito. Nesse sentido, a morte não é um tema de especulação, mas é objeto de aprendizagem: é preciso falar da morte, nunca é demais fazê-lo, e esse falar sobre a morte toca as vidas, ajuda a resolver situações de impasse, promove a interioridade da pessoa e ajuda-a a cicatrizar feridas.

É justamente no âmbito desta preocupação que se enquadra a missão das Jornadas Educar para a Morte. Com uma incidência marcadamente prática e pedagógica, as Jornadas pretendem incidir sobre múltiplas áreas: sociedade e comunicação, psicologia e psiquiatria, arte, educação. Pretende-se, desta forma, fornecer as ferramentas que capacitem professores, cuidadores, formadores e profissionais de diversas áreas no sentido da ultrapassagem concreta da perplexidade originada por situações de morte nos seus âmbitos de atuação e da criação de condições para a prestação de uma ajuda eficaz à pessoa em luto.