Alcides Rainho

Título da oficina: Lidar com desaparecimentos

Resumo: Neste espaço de trabalho, vamos efetuar a análise e o debate de casos diferenciados de desaparecimentos, procurando encontrar e relembrar um conjunto de procedimentos fundamentais para empregar em situações similares. Abordaremos ainda o conceito de «desaparecimento» e/ou «não morte», a sua relação com «crime» e onde e como se interligam.

Nota biográfica: Alcides Rainho, inspetor-chefe da Polícia Judiciária na Diretoria do Centro. Investigador na Brigada de Homicídios há vinte e seis anos. Chefia a mesma Brigada desde o ano de 2012 (sete anos).

Alexandra Chumbo

Título da oficina: Ele/a partiu, e eu, como fico?

Resumo: Nesta oficina de partilha e formação, vamos procurar entender a tragédia do suicídio tendo em conta que ninguém morre sozinho. Cada pessoa que comete um suicídio deixa uma terrível herança de dor e angústia, tantas vezes difícil de aceitar e de gerir. Refletiremos sobre este tema da dor e do sofrimento sentidos pelos familiares e amigos de quem parte desta forma violenta, procurando em conjunto algumas estratégias para minimizar essa dor. Abordaremos ainda a forma de lidar com pessoas que tenham passado por isso, procurando ser adequados na abordagem do tema.

Nota biográfica: Alexandra Chumbo é psicóloga clínica, licenciada pelo Instituto Superior de Psicologia Aplicada, pós-graduada em Psicologia da Gravidez e da Maternidade pelo ISPA. Membro efetivo da Ordem dos Psicólogos Portugueses. Terapeuta familiar, membro da Sociedade Portuguesa de Terapia Familiar, exerce clínica privada em Lisboa e na margem Sul do Tejo com crianças, adultos, famílias e casais. Acompanha regularmente situações de luto, sendo essa uma das suas áreas de interesse e estudo. Casada, mãe de seis filhos, procura entender cada pessoa que acompanha como única e irrepetível.

Alexandra Coelho

Título da oficina: O luto na terceira idade

Resumo: O impacto da morte na terceira idade tem recebido pouca atenção por parte dos investigadores e clínicos. Porém, é nesta fase que as pessoas sofrem mais perdas significativas, dando origem a um processo de luto cumulativo. Em particular, a viuvez é considerada um dos principais stressores do ciclo de vida (Silverstei & Giarrusso, 2010). Dada a longa convivência com o cônjuge, esta perda afeta múltiplas memórias, assumindo por isso um papel central na biografia e na identidade da pessoa (Eckholdt, Watson & O’Connor, 2018). Além disso, a perda de um cônjuge nesta faixa etária coloca diversas exigências em termos práticos, quer na gestão das tarefas domésticas e das finanças, quer nos contactos sociais (Carr, 2008). Entre as várias reações à perda, sobressaem os sentimentos de solidão, tristeza e ansiedade de morte, que em alguns casos se tornam pervasivos, dando origem a manifestações de luto prolongado, depressão e sintomas de trauma (Beery et al., 1997). Por outro lado, o luto afeta o sistema imunitário, justificando o acréscimo de problemas de saúde física decorrentes da perda (Vitlic, Lord, Carroll & Phillips, 2015). No entanto, há também evidência de que algumas pessoas apresentam trajetórias de crescimento e transformação (Moon, 2009). Os padrões de adaptação à perda na terceira idade são muito influenciados pela espiritualidade, nomeadamente na atribuição de significado à perda e restituição do sentido de vida (Damianakis & Marziali, 2012). A abordagem à pessoa idosa em luto requer, por isso, uma atenção global para uma adequada identificação e resposta às várias necessidades que emergem da situação de perda.
O objetivo da presente oficina é sensibilizar para as especificidades do luto na terceira idade e, através de exercícios práticos, dotar os participantes de competências relacionais para uma resposta compassiva perante as manifestações de sofrimento emocional e espiritual decorrentes da perda na pessoa idosa.

Bibl.: Beery, L. C. et al. (1997). Traumatic grief, depression and caregiving in elderly spouses of the terminally ill. OMEGA-Journal of Death and Dying, 35(3), 261-279; Carr, D. (2008). Factors that influence late-life bereavement: considering data from the changing lives of older couples study. In M. Stroebe, R. Hansson, H. Schut & W. Stroebe (orgs.), Handbook of Bereavement Research and Practice: Advances in Theory and Intervention (pp. 417-440). American Psychological Association, Washington, DC; Damianakis, T., & Marziali, E. (2012). Older adults’ response to the loss of a spouse: the function of spirituality in understanding the grieving process. Aging & Mental Health16(1), 57-66; Eckholdt, L., Watson, L., & O’Connor, M. (2018). Prolonged grief reactions after old age spousal loss and centrality of the loss in post loss identity. Journal of Affective Disorders, 227, 338-344. doi:https://doi.org/10.1016/j.jad.2017.11.010; Moon, P. J. (2011). Bereaved elders: Transformative learning in late life. Adult Education Quarterly, 61(1), 22-39; Silverstein, M., & Giarrusso, R. (2010). Aging and family life: A decade review. Journal of Marriage and Family, 72(5), 1039-1058. doi:10.1111/j.1741-3737.2010.00749.x; Vitlic, A. et al. (2015). Increased risk of infection in bereaved older adults: From broken heart to broken immune system. Advances in Neuroimmune Biology, 6(1), 25-30.

Nota biográfica: Alexandra Coelho, psicóloga da Unidade de Cuidados Paliativos do Centro Hospitalar Lisboa Norte desde 2007, responsável pela consulta de luto de cuidados paliativos. Licenciada em Psicologia da Saúde, mestre em Psiquiatria e Saúde Mental, doutoranda em Cuidados Paliativos pela Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa (FMUL). Formação em Terapia de Luto pela FMUL. Assistente convidada da FMUL, colabora como docente em várias formações pré e pós-graduadas na área da saúde mental, luto e comunicação em cuidados paliativos. Atividade de investigação no Centro Académico de Estudos e Intervenção no Luto (NAEIL-FMUL), com participação em vários estudos publicados em revistas nacionais e internacionais, na área do luto dos cuidadores. Co-coordenação do grupo de Apoio ao Luto da Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos (APCP) e membro da Direção da Sociedade Portuguesa de Estudos e Intervenção no Luto (SPEIL).

 

 

Amadeu Matos Gonçalves

Nota biográfica: Amadeu Matos Gonçalves é o professor adjunto do Instituto Politécnico de Viseu (Escola Superior de Saúde), investigador do Centro de Estudos de Educação, Tecnologias e Saúde (CIDETS) e investigador doutorado integrado do CINTESIS (Center for Health Technology and Services Research Faculty of Medicine University of Porto www.cintesis.eu).
Doutor em Ciências de Enfermagem pelo ICBAS da Universidade do Porto (2014).
Mestre em Ciências Sociais pelo ISCTE, Lisboa (2003).
Especialista em Enfermagem de Saúde Mental e Psiquiátrica.
Membro do Conselho Fiscal da Sociedade Portuguesa de Enfermagem em Saúde Mental desde 2007, e membro da assembleia geral desde 2014.
Faz parte da comissão editorial da Revista Portuguesa de Enfermagem de Saúde Mental.
Membro da Sociedade Portuguesa de Suicidologia.$ 

 

Ana Margarida Teixeira

Título da comunicação: O luto por suicídio: desafios e especificidades

Resumo: Estima-se que, por ano, morra quase um milhão de pessoas por suicídio. Por cada suicídio consumado, ocorrem entre 10 e 20 tentativas deste ato, e podem ser afetadas entre 80 e 100 pessoas, 6 a 10 delas de forma profunda (Santos et al., 2015). 
Deste modo, quando falamos de suicídio não falamos somente de quem o comete, mas também daqueles que, após o suicídio, vivenciam, habitualmente, um longo e intenso percurso de sofrimento. Estes indivíduos, cujas vidas foram significativamente alteradas na sequência do suicídio de alguém significativo, são habitualmente designados na literatura de sobreviventes (Jordan & McIntosh, 2011). Os sobreviventes experienciam habitualmente elevados níveis de sofrimento psicológico, físico e/ou social, durante um período considerável após o suicídio. Um efeito comum do suicídio é que desencadeia um processo de luto exigente para quem fica (Cerel & Campbell, 2008). Neste contexto, e tendo em conta as consequências do processo de luto por suicídio, considera-se importante conhecer as necessidades mais específicas dos sobreviventes, bem como perceber melhor o impacto deste fenómeno nos mesmos (Adriessen & Krysinska, 2012). 
As narrativas de sobreviventes revelam que o suicídio de alguém que se ama pode ser uma experiência devastadora (Cerel, Jordan & Duberstein, 2008). Para além disso, evidências mostram que o processo de luto (Sveen, C.-A. & Walby, 2008) por suicídio envolve geralmente especificidades, como a culpabilização, a vergonha, o estigma e, consequentemente, o isolamento, que contribuem para o aumento do sofrimento dos sobreviventes. Estes aspetos podem convergir no aumento do isolamento dos sobreviventes, que muitas vezes se colocam em situação de exclusão social. Neste enquadramento, alguns estudos indicam (Jordan et al., 2011) que os sobreviventes apresentam necessidades de âmbito formal e informal, nomeadamente o suporte de profissionais de saúde mental especializados e o apoio da família e dos amigos. 
A gravidade das consequências da exposição à morte de alguém por suicídio, bem como as necessidades sentidas pelos sobreviventes no processo de luto justificam a necessidade de uma intervenção especializada e de ações estruturadas que, de forma mais abrangente, promovam o bem-estar biopsicossocial desta população.

Nota biográfica: Ana Margarida Barata Salgueiro Pires Teixeira é mestre em Psicologia Clínica e da Saúde (Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Coimbra). Especialização em curso pela Sociedade Portuguesa de Psicoterapias Construtivistas; pós-graduação em Psicopatologia da Criança e do Adolescente: avaliação e intervenção (2010). Atualmente, é Psicóloga Clínica na Consulta do Luto no PIN – Progresso Infantil; psicóloga na EUTIMIA – Aliança Europeia contra a Depressão em Portugal; coordenação de projetos na área da literacia em saúde mental; prática em clínica privada (Lisboa). Outra experiência profissional relevante: psicóloga clínica no Centro de Saúde de Castanheira de Pera (ARS Centro); formadora na área da prevenção da depressão e dos comportamentos suicidários; assistente de investigação no Departamento de Saúde Mental da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa (2011-2014) – prevenção do suicídio; intervenção em crise e catástrofe; intervenção no luto.

Ana Rita Santos Silva

Título da comunicação: Promoção da esperança no trabalho diário com a morte

Resumo: Os cuidados paliativos são cuidados de saúde rigorosos e humanizados, prestados por uma equipa interdisciplinar, visando intervir ativamente no sofrimento das pessoas em situação de doença grave e/ou avançada, incurável e progressiva. Intervêm ativamente nas diferentes dimensões desse sofrimento – e não apenas na vertente física –, bem como no período do luto e apoiando a família da pessoa doente. 
Estes cuidados destinam-se a uma população muito alargada, com diferentes patologias (oncológicas e não oncológicas) e de todas as idades. Em Portugal, são quase três centenas de milhar as pessoas que carecem destes cuidados e, lamentavelmente, não mais de 30.000 têm acesso aos mesmos, ainda que seja um direito de todos.
Face à fase de incurabilidade e irreversibilidade de uma doença e à proximidade ineludível da morte, é habitual comentar-se – não só pelo cidadão comum, mas também por parte de profissionais de saúde – que «não existe esperança». 
Com a nossa apresentação, pretendemos destacar a relevância da intervenção no sofrimento existencial em fim de vida e na proximidade da morte, nomeadamente no que concerne à promoção ativa da esperança por parte dos profissionais das equipas de cuidados paliativos e das equipas de não especialistas que promovem abordagens paliativas. 
Revisitamos o conceito de esperança em fim de vida, formas de o objetivar e apresentamos algumas das intervenções concretas que podem ajudar a promover ativamente a esperança, para transformar o fim de vida num período com sentido, inevitavelmente difícil, mas nunca destrutivo. Esta será seguramente uma tarefa fundamental, que representa o investimento na pedagogia para a vida e que ensina a viver perto da morte.

Palavras-chave: cuidados paliativos, trabalho em equipa, esperança, sofrimento.

Nota biográfica: Rita Santos Silva tem 29 anos. É enfermeira na Unidade de Cuidados Continuados e Paliativos do Hospital da Luz Lisboa há 6 anos, é coordenadora do Plano de Intervenção no Sofrimento Existencial e do Grupo de Formação e Investigação em Serviço. É mestre em Cuidados Paliativos, pelo Instituto de Ciências da Saúde, Universidade Católica Portuguesa e doutoranda em Enfermagem na Universidade Católica Portuguesa de Lisboa.

Annabela Rita

Título da comunicação: Representações da vida na morte

 Resumo: Esta comunicação terá como objetivo observar o modo como a iconografia tumulária nos assegura uma hermenêutica da vida do jazente em alguns exemplos da tumulária medieval das penínsulas ibérica e itálica (Portugal, Espanha e Itália), exemplos fraternizados pelo ciclo da tragédia de amor e morte.

Palavras-chave: amor, morte, túmulo.

Nota biográfica: Annabela Rita é doutorada em Literatura Portuguesa e com agregação e pós-doutoramento em Literatura, é professora e diretora de Licenciatura na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Presidente da Academia Lusófona Luís de Camões, do Instituto Fernando Pessoa e da Assembleia Geral da CompaRes-International Society for Iberian-Slavonic Studies, vice-presidente do Conselho Científico do Instituto Europeu de Ciências da Cultura, coordenadora do CLEPUL, integra as direções da Associação Portuguesa de Escritores, do Observatório da Língua Portuguesa e da Sociedade Histórica da Independência de Portugal, da Comissão Científica Internacional da Cátedra Infante Dom Henrique para os Estudos Insulares Atlânticos e a Globalização (CIDH), os conselhos científicos/consultivos de diversas instituições, etc. Conta com diversas distinções nacionais e internacionais.

Obras principais: Do Que Não Existe: Repensando o Cânone Literário (2018); Eça de Queirós Cronista (2017); Luz e Sombras no Cânone (2014); Focais Literárias (2012); Paisagem & Figuras (2011); Cartografias Literárias (2010; São Paulo, 2012); Itinerário (2009); No Fundo dos Espelhos (2 vols., 2003-2007); Emergências Estéticas (2006); Breves & Longas no País das Maravilhas (2004); Labirinto Sensível (2003); Eça de Queirós Cronista (1998).

 

António Gentil Magalhães

Título da oficina: Quando a morte bate à porta… – Viver o luto na escola

Resumo da oficinaO dever de “não causar dano” e o tabu da morte na escola. Vinculação e luto na infância: noções gerais Etapas evolutivas da compreensão da morte.
A vivência da perda e do luto das crianças: 
– luto por morte de avós, pais, um irmão, um amigo ou um colega de escola, um professor, etc.
– morte anunciada versus morte inesperada ou morte violenta.
Padrões de comportamento dos professores face aos alunos em luto.
Análise de casos práticos – o que pode ser mudado: atitudes e estratégias. 
A metodologia será eminentemente prática, com recurso a trabalho individual e de grupo​, assim como análise de excertos do filme Ponette, à espera de Um Anjo.

Nota biográfica: António Gentil R Magalhães é professor do Ensino Básico de 1º ciclo. Possui o Curso do Magistério Primário e é licenciado em Educação de Adultos e Desenvolvimento Comunitário pela UTAD. É formador de formadores com CAP, na área de Conceção e Organização de Projetos Educativos e na área do Ensino Recorrente. Foi formador de Agentes de Apoio Familiar e à Comunidade, formador de Agentes de Desenvolvimento Local, formador de Animadores Culturais. É dirigente voluntário no âmbito do associativismo humanitário. Foi orador nas I Jornadas de Cidadania e Voluntariado sob o tema «Motivar para salvar». Foi orador na conferência temática «Educar para a Morte/Educar para a Vida», no II Encontro Viver a Vida, na UTAD.

António Augusto Nery

Título da comunicação: A morte como resposta? Uma leitura de «Lídia» (Maria Teresa Horta)

Resumo: Tendo em vista o aparente suicídio cometido pela personagem Lídia, protagonista do conto homónimo (1985), da escritora Maria Teresa Horta (n. 1937), bem como as questões apresentadas pela ficção em relação aos seus sofrimentos quotidianos, advindos, sobretudo, de opressões que lhe foram socialmente impostas, o objetivo deste trabalho é verificar se a mulher representada no conto passa por um movimento de autoconhecimento, se questionando e se reinventando enquanto indivíduo, com a retirada da vida se constituindo como uma conclusão natural desse processo. Se tal possibilidade de compreensão da trajetória de Lídia se vislumbra, um debate acerca da ideia do suicídio como algo negativo também se impõe. É nítido o interesse da narrativa em representar mimeticamente questões relacionadas à condição feminina, como a relação das mulheres com a opressão, o apagamento identitário vivenciado por muitas delas na sociedade e os fatores que podem levá-las a optar pela morte voluntária. Nesse sentido, buscaremos responder se há uma visão otimista por parte da protagonista com relação à morte e se a finitude é concebida na narrativa como redenção e libertação do ambiente no qual Lídia estava inserida, reverberando a ideia de que o suicídio foi uma reação à conceção de género feminino imposta pela sociedade que a cercava. Para procedermos à análise crítica do conto, utilizaremos as já clássicas proposições de Émile Durkheim (1858-1917), presentes na obra O Suicídio (1897) e os conceitos acerca da identidade feminina apresentados por Judith Butler (n. 1956) nos livros Problemas de Gênero: Feminismo e Subversão da Identidade (1990) e Bodies that Matter: on the Discursive Limits of «Sex» (1993).

Palavras-chave: «Lídia», Maria Teresa Horta, morte, ressignificação, género feminino.

Nota biográfica: António Augusto Nery é professor associado de Literatura Portuguesa na Graduação e na Pós-graduação em Letras da Universidade Federal do Paraná, em Curitiba, Paraná, Brasil.

António Fonseca

Título do painel: A decisão de publicar imagens e notícias de morte

Resumo: A publicação de notícias sobre mortes e a transmissão de imagens obedece a alguns critérios ou fica ao acaso? Este painel abordará casos concretos e analisará os critérios utilizados. Será feita uma reflexão sobre as notícias de morte, as diferenças e os denominadores comuns, que mortes são noticiadas, etc.

Nota biográfica: António Fonseca é licenciado em Ensino Básico – EVT, pela Escola Superior de Educação de Lisboa. É produtor de comunicação audiovisual. Atualmente, é responsável pelo departamento de comunicação da PAULUS Editora, e trabalhou na área técnica em dois canais privados de televisão portugueses (TVI e SPORT TV). 

António Laginha

Título da oficina: A dimensão artística e o papel da morte em algumas obras seminais da dança

Resumo: Ainda que as artes (designadamente a música) e a literatura tivessem exercido forte influência na conceção da dança antes do século xix, foi no chamado período romântico que se tornou mais evidente o peso dos escritores que introduziram temáticas mais atrativas e, também, de compositores que, doravante, escreveriam expressamente para bailado. Contudo, o citado movimento intelectual – com forte ênfase na emoção e no individualismo, tendendo a glorificar o passado e a natureza – surgiu mais tardiamente na arte de Terpsícore do que nas outras manifestações artísticas. Grosso modo num período compreendido entre 1827, o début de Marie Taglioni na Ópera de Paris, e 1845, ano do divertissement engendrado e coreografado por Jules Perrot em que a mesma ballerina brilhou em Londres, o Grand Pas de Quatre. E que corresponde a uma época em que a própria Taglioni foi destacada pioneira e, provavelmente, uma das primeiras a ter dançado em pontas. Esta importantíssima proeza técnica modificou drasticamente não só a imagem da bailarina mas também a estética do próprio movimento, que se torna mais visceral, exigente e, acima de tudo, etéreo. E o impactante tema da morte, inerente à condição humana, surge, em simultâneo como um paliativo e um lenitivo nos bailados de então. Curiosamente, ela deixa de ter laivos heroicos (ou, porventura, até cómicos) adquirindo uma matriz muito particular: uma determinante passagem para outra vida. Porém, tal condição, nunca se apresenta como um fim, mas, sempre como um meio. Em La Sylphide (1832), por exemplo, uma leviandade terrena empurra uma vida bucólica para uma inesperada dimensão etérea cujas consequências parecem imprevisíveis. Já em Giselle (1841) o amor e a traição determinam uma espécie de castigo que leva ao sofrimento e à redenção da figura masculina que, curiosamente, compete com a feminina em importância e protagonismo. Se se entender que pertencem a um segundo romantismo – ou melhor, a um romantismo tardio –, os bailados ditos clássicos, sobre partituras de Tchaikovski associados ao frutuoso período (czarista) russo, designadamente as obras-primas de Marius Petipa, A Bela Adormecida (1890) e O Lago dos Cisnes (1895), verifica-se que a morte tem uma presença menos determinante e surge na dramaturgia de um modo diverso nas duas peças E, certamente, menos padronizado do que nas obras ditas românticas. Dir-se-ia, até, que mais criativo na Bela – com libreto do próprio coreógrafo, Marius Petipa, e Ivan Vsevolojski, baseado num conto de fadas de Charles Perraut –, já que a princesa Aurora é picada pela agulha de uma roca para morrer devido a um feitiço maligno da fada Carabosse. Contudo, a fada dos Lilases, sua madrinha, lança um contrafeitiço que não a deixa ser liquidada, mas, antes, a deixa a dormir por… cem anos. Na prática, como se estivesse morta. Já no Lago a morte trágica e romântica no epílogo – ou não – dos dois amantes que protagonizam o bailado (a princesa dos cisnes, Odete, e o príncipe Siegfried) tem desfechos mais ou menos dramáticos conforme a opção de quem recria essa genial obra. Curiosamente algumas vezes, poucas mesmo, as duas personagens juntam-se no além no amor e na paz em busca de uma pouco provável imortalidade.

Nota biográfica: António Laginha é doutorado em Estudos Artísticos pela Universidade de Coimbra, mestre em Belas-Artes pela Universidade de Nova Iorque e licenciado em Arquitetura pela Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa. Formou-se em Dança no Conservatório Nacional de Lisboa e na Juilliard School de Nova Iorque. Foi bailarino e coreógrafo do Ballet Gulbenkian e da Companhia Nacional de Bailado, e de alguns grupos portugueses e companhias norte americanas. Foi professor da Companhia de Dança de Lisboa e da Academia de Dança de Setúbal, entre outras. Também tem trabalhado em produção e feito conferências. Foi jornalista do Dia, do Semanário, do Diário de Lisboa, do Diário de Notícias, do Correio da Manhã, da TSF e de revistas da especialidade, portuguesas e estrangeiras. Tem vários livros publicados, nomeadamente O Segredo de Natália, que recebeu o prémio Revelação da Associação Portuguesa de Escritores em 1998. Fundou a revista Dança, que dirige desde 1996, e o Centro de Dança de Oeiras, que dirige desde 2001, incluindo o Núcleo de Pesquisa e Documentação de Dança. É coordenador do Gabinete de Estudos de História, Cultura e Dança desde 2016.

 

António Martins Gomes

Título da comunicação: Representações da morte na arte oitocentista

Resumo: Desde a fundação do reino de Portugal, a Igreja Católica exerceu um papel predominante em todas as atividades socioculturais do homem. Incluída como tema capital nas artes e na literatura, a morte foi tendo a supervisão do poder eclesiástico, sendo qualquer manifestação artística produzida com dois propósitos essenciais: disciplinar uma sociedade pecadora e insinuar os preceitos morais no homem durante a sua transitória peregrinação terrena. Esculpidas ou pintadas em contexto preferencialmente monástico, diversas obras de arte têm uma orientação teocêntrica e uma forte missão didática, ou seja, procuram veicular a mensagem clara da existência duma vida além-túmulo e a suprema necessidade de redenção da alma, simbolizada pelo antagonismo maniqueísta presente no Juízo Final: ou a recompensadora ascensão ao Paraíso celestial ou a punitiva queda no Inferno diabólico. 
A partir do século XIX, um período fértil em revoluções político-sociais e estéticas, o novo regime liberal procura desmantelar uma sociedade assente na tradição feudal e na autoridade clerical e incrementar um Estado moderno e tendencialmente laico. Tal como a privação do direito civil de enterrar os mortos em espaços religiosos, um ato fúnebre que passou a ser autorizado apenas em cemitérios públicos por imposição legislativa, a Igreja também vai perdendo a preeminência formativa no gosto cultural do público burguês, dando oportunidade a que o tema da morte seja debatido livremente e se diversifique em termos de representação artística. 
Esta comunicação visa confirmar a maior preponderância que a arte oitocentista atribui à morte, cujo tema ganha uma maior riqueza simbólica a partir do Romantismo: para além de acompanhar a evolução das escolas estéticas e tornar mais variados os seus desígnios, envolve homenagens cívicas e pessoais, propaganda política, episódios históricos e folclóricos, à mistura com os mais fortes sentimentos de patriotismo, panteísmo, efemeridade e fé. Algumas obras assinadas por Domingos Bomtempo, Domingos Sequeira, Francisco Metrass, José Malhoa, Sousa Pinto, Victor Bastos, Rafael Bordalo Pinheiro ou Carlos Relvas ilustrarão a presença da morte, quer nas formas estéticas mais clássicas, como música, pintura, escultura e desenho, quer na nova arte fotográfica.

Palavras-chave: Morte, arte, século XIX, Romantismo, simbologia.

Nota biográfica: António Martins Gomes é docente da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, em cuja atividade predomina a cultura portuguesa oitocentista. É investigador integrado do CHAM – Centro de Humanidades, tendo participado em alguns eventos associados ao Centenário da República e, mais recentemente, no I Congresso Internacional A Morte: Leituras da Humana Condição. Publica textos sobre literatura e arte em publicações periódicas e obras coletivas desde 1987, destacando-se a organização da Antologia Crítica de Cultura Portuguesa Oitocentista e a colaboração na ERNIE ‑ Encyclopedia of Romantic Nationalism in Europe. A sua área de investigação atual incide sobre a imprensa portuguesa do século XIX.

Armindo Armando Nhanombe

Título da comunicação: O contributo da educação e da espiritualidade para a preparação e a aceitação da morte

Resumo: 
A Igreja e a educação perseguem o mesmo fim, que é o homem
A educação educa. Educar vem do latim «educare», por sua vez ligado a «educere», verbo composto do prefixo «ex» (fora) e «ducere» (conduzir, levar), e significa, literalmente, conduzir para fora, ou seja, preparar o indivíduo para o mundo. 
A sociedade é formada por homens. E somente estes devem ser educados e incutidos valores morais e éticos: «qualquer família sabe que não há educação sem valores, em e com valores» (AA.VV., 2009, 8). O mesmo autor acrescenta que «educar uma criança ou um jovem é dar-lhe recursos físicos, espirituais, intelectuais e emocionais que lhe permitam realizar-se plenamente como pessoa» (Ibid., 11). Educar é dar ferramentas ao ser humano que lhe permitam desenvolver-se e relacionar-se com o outro. O ser humano, diferentemente dos animais, que são seres adaptados a todas as circunstâncias da natureza, é um ser inadaptado, isto é, precisa de se adaptar a cada situação. Esta adaptação é feita segundo os valores que o ser humano vai recebendo.
A Igreja evangeliza. Evangelizar significa dar boa notícia. E a boa notícia não é outra coisa senão a do amor de Deus pelo Homem, um amor que é incondicional.
Percebe-se, por estas duas colações que fizemos, que tanto a educação como a evangelização visam preparar o homem. Podemos dizer que a sociedade prepara o homem por meio da educação e a Igreja, por meio da evangelização. Esta pode desdobrar-se em várias dimensões e uma delas é a espiritualidade, sendo que a espiritualidade é um estilo de vida. A educação é também um estilo de vida. A educação contribui para a preparação e criação do homem novo e a evangelização, por significar boa nova, também visa a criação do homem novo.
Perguntamo-nos, hoje, se a educação tem exercido o seu papel de preparar o homem para a morte. De facto, assiste-se hoje a uma cultura para a imortalidade, que o mesmo é dizer, uma cultura em que o homem quase se convence de que não será atingido pela morte. É a cultura do hedonismo: o prazer passou a ser um bem supremo. Basta olhar para o tipo de vida que levamos: procedemos como se fôssemos eternos. Estamos cada vez mais convencidos de que os nossos bens materiais, financeiros, graus académicos e quiçá o nosso porte físico (quanto mais elegante for, mais se acentua essa convicção) vão evitar que a morte nos afete. Por outro lado, vivermos a pensar na morte significa vivermos atormentados. Uma coisa é certa: precisamos de ter consciência de que, neste mundo, somos passageiros, de que um dia iremos partir como outros já partiram. A espiritualidade pode jogar um papel importante na educação para a morte, no sentido em que nos estimula a vivermos com dignidade com os outros, porque, afinal, nada levaremos connosco. Se há algo que fica, é o nosso carácter e os nossos atos. Vale a pena viver com dignidade, que é a condição para que as pessoas se recordem de nós.
E porque a educação para a morte preocupa a Igreja, o Papa São João Paulo II escreveu em 1995 a encíclica Evangelium Vitae, que responde aos desafios à vida, que são o aborto e a eutanásia. Para a Igreja Católica, ninguém tem o direito de tirar a vida de outrem, nem a sua própria vida. A vida é um dom de Deus. É Ele que a dá e é Ele que a tira. O mais importante é que o homem viva dignamente, que esteja preparado para este momento.
Convenço-me de que a educação e a espiritualidade podem fazer a diferença na humanidade, no que se refere à formação do Homem e, sobretudo, na preparação do Homem para a morte. A minha experiência revela que pessoas que são acompanhadas espiritualmente aceitam e vivem a morte com dignidade.
Temos gosto em olhar para duas dimensões, para a nossa abordagem: o sentido da vida e aceitação da morte.
O sentido da vida
A aceitação da morte está ligada ao sentido que damos à vida. A aceitação da vida, como dever, é ponto alto que um ser humano pode atingir. Quem dá sentido à vida, dará sentido à morte. O prefácio dos defuntos diz-nos: «Para os que creem em vós, Senhor, a vida não acaba, apenas se transforma; e, desfeita a morada deste exílio terrestre, adquirimos no Céu uma habitação eterna». Este prefácio, que rezamos na presença dos defuntos, faz-nos perguntar o que seria de nós se não saíssemos desta habitação terrena. A nossa vida ganha sentido quando nos sentimos peregrinos. Estamos de passagem neste mundo. Um dia, teremos de partir deste mundo para outra morada. A fé nesta passagem faz com possamos dar sentido à nossa existência. Viktor Frankl diz-nos que os que lutam pela vida raramente perdem interesse por ela. Frankl parte de duas experiências pessoais: uma no campo de concentração de Auschwitz, em que viu com os seus olhos de prisioneiro e psiquiatra a chave para sobreviver, não apenas no sentido físico, mas também no psicológico e espiritual: tudo se deve à capacidade de encontrar um sentido para a própria vida, mesmo nestas circunstâncias extremas.
A outra experiência é a das pessoas que viviam nas situações mais confortáveis e mais fáceis, no interior de uma sociedade opulenta, e que, por razões dolorosas, perderam. Este fenómeno era mais frequentemente encontrado. A esta perda do sentido da vida, chamou Viktor Frankl vazio existencial.
Para ultrapassar este vazio, as pessoas precisam de lutar pela vida todos os dias, tendo criado o conceito motivador, que está orientado para encontrar um sentido para a vida e realizá-lo. O sentido da vida não se impõe: procura-se. Cada um deve procurar o sentido da sua vida, sendo que os profissionais da saúde, da educação e outros agentes não devem impor a ninguém o sentido da vida, mas podem ajudá-lo a encontrar o sentido da vida. O sentido da vida não deve ser imposto; tem de ser descoberto (Miranda, 2000, 157 -174).
Aceitação da morte
Não se pode falar da morte sem se falar da vida. Só morre aquilo que tem vida. Tudo o que tem vida vai morrer. A Sagrada Escritura diz-nos que o grão de trigo, se não morrer, não pode dar fruto. É a chave para compreendermos que o crescimento que pode dar fruto na vida é o resultado da ação que o homem empreender: a de aceitar o morrer como parte integrante do viver e a ressurreição como uma dinâmica intimamente relacionada com o morrer. «Somos seres que descobrimos a nossa impotência, dia após dia, na nossa vida. Esta impotência é sempre uma morte para o nosso desejo, que gostaria de ser omnipotente» (Dolton, 1979, 146). Aceitar escolhas, aceitar limites, aceitar o morrer e o luto pelo que se perde faz parte da vida e da construção da própria identidade. Não somos educados a aceitar que a morte faz parte do processo natural do homem. E é preciso que o aceitemos! Na verdade, morremos todos os dias. Todavia, a nossa linguagem prefere dizer que crescemos todos os dias. Porque a afirmação de que morremos totós os dias cria depressão no ser humano. O ser humano gosta de se sentir omnipotente, daí toda a linguagem que é criada para idolatrar o Homem. Mas, na verdade, não há nada que possa crescer se não morrer. Não há vida sem a morte. Um jovem, para ser jovem, precisa de assistir à morte da sua infância – esta é a lei da natureza. Este abandono da linguagem da morte faz com que o ser humano crie mecanismos de defesa para com tudo o que tem que ver com a morte. Por isso, o homem acaba rejeitando a morte, aceitando somente a vida, porque a educação não o preparou. Este nunca está preparado para a morte e nem se deixa preparar para a morte, o que torna este momento doloroso. O livro da sabedoria lembra-nos, no capítulo 3: «A vida dos justos está nas mãos de Deus, e nenhum tormento os atingirá. Aos olhos dos insensatos parecem ter morrido; a sua saída do mundo foi considerada uma desgraça, e sua partida do meio de nós, uma destruição; mas eles estão em paz. Aos olhos dos homens parecem ter sido castigados, mas sua esperança é cheia de imortalidade; tendo sofrido leves correções, serão cumulados de grandes bens, porque Deus pô-los à prova e achou-os dignos de Si. Provou-os como se prova o ouro no fogo e aceitou-os como ofertas de holocausto; no dia do seu julgamento hão de brilhar, correndo como centelhas no meio da palha; vão julgar as nações e dominar os povos, e o Senhor reinará sobre eles para sempre. Os que nele confiam compreenderão a verdade, e os que perseveram no amor ficarão junto dele, porque a graça e a misericórdia são para seus eleitos».
Esta passagem faz-nos pensar que a nossa vida tem endereço: vem de Deus e volta para Deus, mas na sua ida passa pelos homens. Assim, qualquer partida cria dor. Esta passagem convoca-nos para a necessidade da preparação, pois o que se verifica é que nem o que parte nem os que ficam estão preparados. De realçar que a primeira atitude que aparece é a rejeição da morte. Não queremos ouvir falar nem conviver com a morte. Isto verifica-se também nas nossas atitudes do dia-a-dia, sobretudo na acumulação da riqueza. Vivemos como se não fôssemos morrer. Mohamed Mo Ibrahim (n. 1946), empresário sudanês-britânico do ramo de telecomunicações que oferece aos estadistas africanos prémios de boa governação, numa das suas passagens por Moçambique, um jornalista ousou perguntar porque oferecia esse dinheiro, ao invés de usufruir e desfrutar dele, ao que ele afirmou: «O dinheiro tem dois problemas, ou o usas ou ele te usa. Muita gente passa a vida adquirindo bens materiais tais como casas e carros, mas esquece-se de que, na vida, só vai dormir numa casa, num quarto e numa cama. O mesmo se diz sobre o carro, as pessoas esquecem-se de que na vida só vão andar num carro». Esta afirmação de Mo Ibrahim faz-nos pensar que passamos a vida acumular riquezas e esquecemos que um dia vamos partir deste mundo e nunca nos preparamos para morte. Se nos preparássemos para a nossa passagem deste mundo havíamos de viver com dignidade, pois, no fim desta nossa vida terrena, regressamos tal como viemos a este mundo: viemos de mãos abanadas e voltaremos de mãos abanadas. E mais: recorda-nos o refrão da quarta-feira de cinzas: lembra-te que és pó e pó voltarás a ser. Só Deus nos dá dignidade. Pode morrer tudo, mas não deixemos que o carácter morra, e o carácter constrói-se na relação com o outro. Negação e aceitação estão muitas vezes presentes ao mesmo tempo e são expressões, não só do dinamismo que existe dentro da pessoa que vai morrer, mas também nos membros da família e nos diversos profissionais de cuidados da saúde. A recusa da morte e do processo de morrer deixa-nos sem preparação para a nossa própria morte e para a morte daqueles que amamos, especialmente se é uma criança que morre. Os adultos rapidamente recusam ter uma relação satisfatória com uma criança que vai morrer.
A consciência da morte e o medo que se lhe segue está presente na criança gravemente doente com muito maior frequência do que pensam a sua família e os profissionais de saúde que a tratam. Ela não falará disso, mas reage à sua doença com níveis muito elevados da ansiedade e com um sistema de defesa muito mais desenvolvido do que o da criança que tem uma doença menos grave. A recusa da morte tem, também, um efeito considerável sobre a relação terapêutica e sobre o cuidado prestado à pessoa em processo de morrer e tornará particularmente vulneráveis aqueles que por profissão têm de cuidar dela (Sandrin, 2000, 175-184).
A questão da eutanásia pode aproximar-se também do mecanismo psicológico da negação, pelo menos em certos casos. A eutanásia é uma espécie de fuga para a frente, uma tentativa extrema de negar a derrota e de assegurar, de certa forma, o controlo sobre a morte, conseguindo, pelo menos, fixar-lhe a hora. É sinal da incapacidade de chorar e de aceitar com humildade a perda e as limitações de ser criatura.
O conceito de aceitação da morte significa reconhecer e aceitar os limites que são constitutivos da nossa vida: uma atitude que, mesmo em termos psicológicos, tem o nome de humildade.
É de capital importância a presença e o acompanhamento dos atores da educação, assim como a importância da espiritualidade no ato de dar sentido à vida e no da aceitação da morte. Seja para dar sentido à vida, seja para a aceitação da morte, deve ter primazia a preparação. A preparação significa que ninguém vai ser encontrado desprevenido. A esperança mostra-nos que quando estamos preparados aceitamos melhor a vida. 

Palavras-chave: Educação, espiritualidade, sentido, preparação, morte.

Nota biográfica: Armindo Armando Nhanombe é licenciado em Filosofia pela Universidade de São Tomás de Aquino de Moçambique, bacharel em Teologia pela Universidade Urbaniana de Roma, mestre em Filosofia de Educação Pela Universidade Pedagógica de Moçambique, doutorando em Ética Aplicada pela Universidade de São Tomás de Aquino de Moçambique, licenciando de Direito Canónico pela Universidade Católica de Lisboa, mestre e doutorando em Direito e Segurança pela Universidade Nova de Lisboa. Docente de Ética Fundamental, Ética Geral e Introdução à Filosofia na Universidade São Tomás de Aquino de Moçambique, docente também no Seminário Santo Agostinho da Matola, nas cadeiras de Filosofia Africana e Didática da Filosofia. Docente de Metodologia de Investigação Científica e Ética Geral no Instituto Superior de Negócios e Gestão. Pertence a equipa de investigadores do CEDIS da Universidade Nova de Lisboa. Tem participado de conferências como orador. É sacerdote da Arquidiocese de Maputo (Moçambique), estando neste momento a residir em Lisboa para continuação dos estudos e colaborando na Paróquia de Santos, o Velho.

Carlos Neto

Nota biográfica: Carlos Alberto Ferreira Neto é professor catedrático na Faculdade de Motricidade Humana (FMH) da Universidade de Lisboa (UL). É atualmente presidente da Casa da Praia-Centro Doutor João dos Santos. Foi membro efetivo do Conselho Geral da Universidade de Lisboa (2015-2017). Presidente da FMH (janeiro de 2010 a julho de 2014), faz atualmente parte do Departamento de Desporto e Saúde e do Laboratório de Comportamento Motor. Instrutor de Educação Física pela Escola de Educação Física de Lisboa (1971); licenciado em Educação Física (1975) pelo Instituto Nacional de Educação Física, foi professor no Instituto Superior de Educação Física (1976 até 1984). Leciona as disciplinas de Desenvolvimento Motor nos diferentes cursos de licenciatura de Ciências do Desporto, de Observação do Desenvolvimento Infantil na Licenciatura em Reabilitação Psicomotora e de Educação Física I no Mestrado em Ensino da Educação Física. É coordenador do Mestrado em Desenvolvimento da Criança. Desempenhou ainda vários cargos de gestão no ISEF e FMH: vice-presidente do Conselho Diretivo; presidente do Conselho Pedagógico; presidente do Conselho Científico (2 mandatos); presidente da Assembleia de Representantes (3 mandatos) e presidente do Laboratório de Desenvolvimento e Adaptação Motora e presidente do Departamento de Ciências da Motricidade. Foi fundador da Sociedade de Educação Física, membro de diversas revistas científicas e tem publicado vários trabalhos em revistas científicas, capítulos de livros e participado em diversos seminários, congressos e ações de formação sobre Educação Física e Desporto, desenvolvimento motor e ensino da educação física nos primeiros níveis de escolaridade e jogo e desenvolvimento da criança. As principais linhas de investigação situam-se no estudo do desenvolvimento de habilidades motoras e efeitos de situações de ensino (1); jogo e desenvolvimento da criança (2); rotinas de vida e independência de mobilidade em crianças e jovens (3) e bullying nos recreios escolares (recess) (4). Foi membro do Conselho Coordenador do Instituto de Apoio à Criança, tendo participado na criação e coordenação do Grupo de Atividade Lúdica. Foi fundador e presidente da Sociedade Internacional para Estudos da Criança (SIEC), e é representante Português da International Play Association (IPA). Organizou em Lisboa (1999) a XIV IPA World Conference (Play and Community), em 1997 o 20th International Congress (Play and Society) do International Council of Children´s Play e, em 2008, a 4th International Conference of Violence in School. Entre 1998-2003 foi coordenador da equipa de Lisboa (FMH) do projeto internacional «TMR Network Project – Nature and Prevention of Bullying: the causes and nature of bullying and social exclusion in schools, and ways of preventing them». É autor dos livros Jogo e Desenvolvimento da Criança, Motricidade e Jogo na Infância, Tópicos em Desenvolvimento na Infância e Adolescência, e Brincar em Cascais.

Catarina Bragança Nobre

Nota biográfica: Catarina Bragança Nobre é mestre em Psicologia Clinica e da Saúde pelo ISPA-IU, pós-graduada em Luto e Psicoterapeuta do Luto pela Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa e pela Sociedade Portuguesa de Estudos e Intervenção no Luto. Especialista em Psicologia Clínica e da Saúde pela Ordem dos Psicólogos Portugueses. 
Exerce clínica em contexto privado. Colabora com a Servilusa como psicóloga clinica e formadora. 

Cátia Almeida

Título da oficina: «Mãe, para onde foi a avó?»: A morte explicada às crianças

Resumo: Na sociedade contemporânea, encontramos duas atitudes extremas e desadequadas, na minha opinião, em relação à morte e ao sofrimento: ou mostrar tudo ou não mostrar nada. A nossa é uma cultura de clivagens, paradoxos, hiperproteção ou, pelo contrário, exposição crua e nua da morte e do sofrimento do outro. Se, por um lado, jantamos enquanto vemos no telejornal corpos desmembrados na Síria, por outro, não queremos dizer às crianças que o avô morreu, para não as traumatizar. Mas, na realidade, a morte está mais presente na mente infantil do que podemos imaginar. Em traços gerais, diria que a maior dificuldade em lidar com o mistério, o desconhecido,  a impotência e o não-controlo das situações está nos adultos. As crianças lidam com tais realidades diariamente.
Assim, evitar o tema do sofrimento e da morte e mantê-lo tabu para as crianças não ajuda, de todo a superar a dor de uma perda ou a ganhar resiliência para gerir uma situação dolorosa.
As gerações anteriores, mais do que as atuais, tinham acesso aos ritmos próprios da natureza, com os seus ciclos de vida e de morte, de sementeira e de colheita, de nascimento e de matança de animais. A vida, vivida ao ritmo das estações do ano, implicava um nascer e um morrer, um crescer e um envelhecer. Não tendo o controlo dos ritmos externos, nem o conhecimento para contrariar os mecanismos das doenças, o sofrimento inerente à condição humana estava inevitavelmente presente. Não se tinha a expectativa de invulnerabilidade e omnipotência que hoje contamina a saúde mental de miúdos e graúdos.
Não sabemos tudo, não controlamos tudo, mas, como comunidade humana, apoiamo-nos em todas as situações. Esta é a verdade que as crianças precisam de ouvir, no que diz respeito ao tema da morte e do sofrimento. É quase uma verdade óbvia, mas que convém recordar. A morte é universal, natural e inevitável. E necessitamos de uma educação para a morte, integrando-a como uma fase do ciclo de vida de cada ser humano.
A morte de alguém, mesmo próximo, não tem de ser esmagadora. O contacto com a dor e a perda preparam-nos para a frustração, para a resiliência e fazem-nos relativizar os negativos da nossa vida. Algo que parece, à partida, tão sem sentido transforma-se em oportunidade de crescimento, em riqueza interior e comunitária, se assim se souber aproveitar.
Ajudar a criança a lidar com a morte supõe respeitar a fase de desenvolvimento em que se encontra. As noções de irreversibilidade, não funcionalidade e universalidade não estão presentes nos primeiros anos de vida. São noções que se adquirem progressivamente, à medida que o pensamento abstrato se desenvolve. Posto isto, os adultos em torno da criança podem apoiá-la no sofrimento e na perda, facilitando a expressão das emoções (as suas e a dela), falando naturalmente (sem metáforas erróneas), perguntando à criança o que pensa sobre o acontecido, estando aberto às perguntas, eliminando a culpabilidade e, acima de tudo, não «psiquiatrizando» as situações normais de adaptação à nova realidade.

Nota biográfica: Pedopsiquiatra no Centro Hospitalar Tondela-Viseu e na Casa de Saúde São Mateus, coordenando nesta o Centro do Neurodesenvolvimento. Mestrado Integrado em Medicina, Faculdade de Medicina de Lisboa (2010). Pós-Graduação em Saúde Mental, Instituto de Ciências da Saúde da Universidade Católica Portuguesa (2012). Curso de Sensibilização à Terapia Familiar Sistémica, Sociedade Portuguesa de Terapia Familiar (2013). Pós-Graduação em Análise de Dados Quantitativos para as Ciências da Saúde, Instituto de Ciências da Saúde da Universidade Católica Portuguesa (2014). Pós-Graduação em Neurodesenvolvimento em Pediatria, pelo Instituto de Ciências da Saúde da Universidade Católica Portuguesa (2015).  
Líder de Pais do Programa Anos Incríveis, um programa de parentalidade positiva, no qual trabalha com grupos de pais. Monitora e coordenadora nacional do Programa Protege o Teu Coração, um programa de educação da sexualidade, desde há 9 anos, tendo realizado centenas de sessões para adolescentes, crianças, pais e professores neste âmbito. Colaboradora do FertilityCare, um sistema educativo e uniformizado de saúde ginecológica e procriativa, no âmbito da qual trabalha com adolescentes na promoção de uma saúde integral e responsável, desde 2015. Colaboradora da Associação Mentes Sorridentes, que se dedica à implementação de estratégias de Mindfullness em meio escolar, desde 2015.

Clara Costa Oliveira

Título da oficina: O luto por si próprio nas doenças prolongadas

Resumo: Dor e sofrimento. Dor crónica e sofrimento crónico. Fatores desidentitarios. Estratégias de reconstrução. A dimensão temporal interior. Recursos gerais de resistência e sua utilização.

Nota biográfica: Professora associada com Agregação. Membro de Cehum e do Stol. Investiga-age em áreas de sofrimento humano por recurso ao paradigma da complexidade, às correntes auto-organizativas e salutigénicas. Formadora em educação não formal e informal. Organizou e participou em vários cursos e palestras sobre sofrimento, dor e luto, em Portugal e no estrangeiro. Autora de livros e de dezenas de artigos em Portugal e no estrangeiro. Colaboradora de eventos ligados às humanidades em medicina e à enfermagem.

Cláudia Sebastião

Título do painel: A decisão de publicar imagens e notícias de morte

Resumo: A publicação de notícias sobre mortes e a transmissão de imagens obedece a alguns critérios ou fica ao acaso? Este painel abordará casos concretos e analisará os critérios utilizados. Será feita uma reflexão sobre as notícias de morte, as diferenças e os denominadores comuns, que mortes são noticiadas, etc.

Nota biográfica: Cláudia Sebastião é licenciada em Comunicação Social pela Escola Superior de Comunicação de Coimbra e mestre em Comunicação, Cultura e Tecnologias de Informação pelo ISCTE, Lisboa. É jornalista há quase 20 anos. Durante 16, trabalhou como jornalista da editoria de Política da TVI, tendo sido aí jornalista parlamentar. Com experiência em rádio, é atualmente chefe de redação da revista Família Cristã e revisora. É autora do livro Marcelo Rebelo de Sousa – O Presidente dos Afetos (2018).

 
Cristina Brasete

Nota biográfica: Cristina Brasete é licenciada em Educação Especial e pós-graduada em Administração Escolar, encontra-se a realizar o doutoramento em Ciências da Educação. Foi diretora pedagógica da Escola Básica Integrada e Secundária (EBIS) Jean Piaget, em Viseu, e tem vasta experiência em administração escolar. Foi presidente da Escola Superior de Educação do Instituto Piaget de Viseu. Juíza social há mais de 10 anos, tendo especial experiência no domínio da proteção de menores. Atualmente, é a vereadora da Educação, Juventude e Desporto da Câmara Municipal de Viseu.

 

Edilson Motta

Título da comunicação: Faces da morte e da memória: o grotesco na arte tumular portuguesa do século XIX

Resumo:  O sublime e o pitoresco assumem posição cimeira na discussão estética novecentista e se expressaram nos mais diferentes domínios das artes e da vida social. A criação da arte tumular portuguesa não esteve isenta desta polarização, como também não deixou de apresentar aspetos particulares e com visualidades a serem descobertas e dimensionadas. Este artigo pretende colocar em evidência a presença em Portugal de um tipo particular de túmulos, que definimos como grotescos, que constituem um conjunto numericamente importante dentro da produção do século XIX, continuada no início do século XX. Estudamos o acervo, relativamente bem preservado e de fácil acesso, porém pouco estudado, que se encontra no Cemitério dos Prazeres, em Lisboa. O cemitério foi construído e ampliado dentro de propostas higienistas, que acompanhavam as reformas liberais, e diante dos problemas epidemiológicos, relacionados à cólera e à febre-amarela, por que passava Portugal e a Europa no século XIX. Ao ser fundado, em 1833, o cemitério veio responder à necessidade imediata de se enterrar as vítimas da forte pandemia de cólera, que teve pico no verão daquele ano, quando foram criados 5 cemitérios provisórios a atender um número oficial de 13.523 mortos. A tipologia tumular estudada, de carácter recorrente e regular, carateriza-se pela representação de um monte de pedras, encimado por uma cruz, e apresenta símbolos da passagem do tempo e placas que informam dados sobre o sepultado. Supomos que a sua origem religiosa está ancorada em uma tradição formal e cristológica fortemente enraizada, pelo menos, desde o tardo-gótico peninsular. Assim, avançamos com alguma notas históricas e hipóteses interpretativas sobre a sua originalidade e sua importância no ambiente do Romantismo em Portugal, como forma de se encarar a morte e o registo da memória que não se configura como simples expressão individual, mas como fenómeno social e de mentalidade de grande espetro.

Palavras-chave: arte tumular, sociologia da arte, morte e mentalidades, Romantismo.

Nota biográfica: Edilson Motta nasceu a 5 de outubro de 1967, em Belém do Pará. Está radicado em Lisboa desde 2020. É arquiteto de formação, especialista em Urbanismo e mestre em Planeamento do Desenvolvimento, com concentração em história arte e questões luso-amazónicas. Desenvolve curadorias, produção cultural, promoção e marketing. A sua experiência de investigador em História Regional e da Cartografia aproximou-o das questões referentes à cartografia da desembocadura do Amazonas durante o período colonial, mantendo uma investigação teórica acerca das condições de produção de conhecimento artístico na modernidade. Paralelamente, dedica-se ao trabalho poético, no qual tem construído um diálogo transversal às temáticas do amor, da liberdade e da justiça social, além de retratar sentimentos mais íntimos, concebendo um simbolismo que não esconde forte cariz autobiográfico. Além de se ocupar com a realização de projetos culturais que privilegiam as artes visuais, a poesia e a música, coordena o Projeto Amazoníadas, que aproxima arte, ciência e educação na discussão das questões amazónicas.

Eduardo Carqueja

Título da oficina: Processos de luto

Resumo da oficina: O luto pode ser definido como um conjunto de reações emocionais, físicas, comportamentais, sociais e espirituais que aparecem como resposta a uma perda – seja uma perda real ou fantasiosa (um «medo de perder»), seja uma perda por morte ou pela cessação/diminuição de uma função, possibilidade ou oportunidade (Parkes, 1998). É também um processo profundamente existencial.
Barreto (2008) refere que o luto é um processo psicológico que se produz depois de uma perda pela morte de uma pessoa querida. É uma experiência humana universal, única e dolorosa. A experiência emocional de enfrentar a perda pode ser chamada elaboração do luto e conduz à necessidade de adaptação a uma nova realidade.
O luto pode ser encarado como um processo necessário para que o enlutado possa ultrapassar a perda e adaptar-se à nova condição de vida sem a presença do seu ente querido (Worden, 2013). 
O processo de luto define-se como um conjunto de processos psicológicos e psicossociais que surgem após a perda de uma pessoa a quem o sujeito estava psicoemocionalmente vinculado (Nomen, 2009). 
Vários são os autores que se referem ao luto como um processo. De que processo falamos quando nos referimos a uma intervenção em luto? Podemos falar de luto? Ou devemos falar de lutos? Luto normal ou luto apropriado?
Esta oficina, designada por «Processos de luto», visa estabelecer uma reflexão sobre estes temas.

Nota biográfica: Eduardo Carqueja é doutor em Bioética, pós-graduado em Luto, mestre em Ciências Religiosas, na área da Fé e Psicoterapia, licenciado em Psicologia Clínica. Especialista em Psicologia Clínica e da Saúde pelo Ministério da Saúde e pela Ordem dos Psicólogos Portugueses. Assistente principal da carreira dos Técnicos Superiores de Saúde – Ramo de Psicologia Clínica, no Centro Hospitalar Universitário de S. João (CHUSJ). Responsável pela consulta de Psicologia Cuidados Paliativos do CHUSJ. Docente convidado da Faculdade de Medicina do Porto em doutoramentos, mestrados e pós-graduações em áreas de bioética e cuidados paliativos. Coordenador de várias pós-graduações em cuidados paliativos e psico-oncologia. Prémio Monsenhor Feytor Pinto Terapia e Espiritualidade (2008). Presidente da Sociedade Portuguesa de Estudos em Psicologia Oncológica (SPEPO). Presidente da Delegação Norte da Ordem dos Psicólogos Portugueses.

Henrique Monteiro

Título da conferência: A morte no mundo global

Resumo:

  • O que é a morte e como foi pensada? De Platão a Montaigne e Spinoza.
  • Porque recusamos pensar a nossa própria morte e a atribuímos como tragédia ao outro? Eduardo Lourenço e Vladimir Jankelevitch
  • Diferentes formas de encarar a morte (o conto do Rei Dario)
  • Como o positivismo e o ‘cientifismo’ nos afastaram da ideia de morte.
  • As mortes globais e milenaristas
  • O destino dos vivos. Vida após a morte ou morte após a vida?

Nota biográfica: Henrique Monteiro nasceu em Lisboa, em 1956.
É licenciado em História (1981) e jornalista profissional desde 1979, tendo passado pelo Jornal de Notícias, o Notícias da Tarde, O Jornal e o Expresso, onde foi sucessivamente editor da Revista e da secção Nacional, subdiretor, responsável pelo caderno Actual e pelos projetos especiais, e diretor (até 2010).
Atualmente, é membro do Conselho Editorial do Expresso e colaborador desse jornal, bem como da SIC, da Rádio Renascença e de A Bola.
Pertenceu aos corpos diretivos do Sindicato dos Jornalistas e de várias associações. Tem feito múltiplas conferências e publicou dois livros de crónicas (do Comendador Marques de Correia) e três romances.

Hugo Amaral

Título da comunicação: «A morte é alguém que vive a nosso lado»

Resumo: Esta comunicação encontra no fio de leitura de um verso, tão jubilante quanto melancolicamente enlutado, de Isabel de Sá, «A morte é alguém que vive a nosso lado» (O Duplo Dividido), aquilo que liga a questão da morte quer aos motivos da «sobrevida», da «lógica da assombração» e do «luto impossível» (sem interiorização e sublimação) na obra de pensamento de Jacques Derrida, quer à problemática da «experiência inexperienciada» segundo Maurice Blanchot. Está assim em questão perceber, no rastro destes pensadores-filósofos-escritores, como é que a experiência ou a provação (do latim experiri) da vinda da morte (que é sempre do outro) no coração da vida não se distingue, no limite, da vibração da própria vida como relação ou reenvio a outrem: uma relação sem relação ao outro absoluto e separado (absolus) que, incorporado já sempre como outro, obriga a um repensar da conceção psicanalítica do luto entendido como introjeção. A morte seria assim «alguém que vive a nosso lado» porquanto o luto é sempre impossível (não assimilável e não idealizável, donde o respeito absoluto pelo outro-morto) e a vida é afinal sobrevida, mais do que a vida, justamente, dinamizada pelo que (ou por quem) excede o presente vivo.

Palavras-chave: morte, sobrevida, luto, experiência, desconstrução.

Hugo Amaral é professor, investigador e tradutor. Licenciado em Línguas e Literaturas Modernas, pós-graduado em Estudos Anglo-Americanos e em Estudos Transdisciplinares Linguagens, Identidades e Mundialização (no cruzamento da Literatura, da Filosofia e da Sociologia) pela Universidade de Coimbra. É doutorando em Filosofia pela Faculdade de Letras da mesma Universidade, trabalhando na intersecção da Desconstrução com a Literatura. Coordena o Projeto de Investigação «Representações e Experiências da Leitura» (IPV/Fundação Lapa do Lobo) e é membro colaborador da Unidade de Investigação e Desenvolvimento do Instituto de Estudos Filosóficos da Universidade de Coimbra.

Isabel Celina Moreira

Título da comunicação: Vivências significativas da mulher na perda gestacional

Resumo: A gravidez representa uma experiência única para a mulher. Após a confirmação e aceitação da gravidez, os pais não pensam que algo possa correr mal, vivendo momentos de felicidade planeando a chegada do novo membro. Quando, durante a gravidez, ocorre a perda, há a destruição de expectativas, de sonhos, provocando alterações emocionais nos pais em resultado daquilo de que se viram privados. O objetivo deste estudo foi identificar os sentimentos vividos pela mãe e as transformações na relação do casal na perspetiva da mulher. 
Métodos: Utilizamos a narração de vivências significativas. O instrumento de recolha de dados foi constituído por questões de caracterização dos participantes e um guião de entrevista semiestruturada, que foi gravada em áudio. No total, foram realizadas oito entrevistas, quando obtida saturação de dados. No tratamento de dados, recorremos à analise de conteúdo seguindo os passos metodológicos de Bardin (2016). 
Resultados: Com esta análise, concluímos que, na perda gestacional, a mulher vivencia sentimentos de angústia, dor e incompreensão, independentemente da idade gestacional. Perante este evento, estiveram presentes transformações de sentimentos na relação do casal, que foram de união ou desvinculação. 
Conclusões: A perda gestacional tem impacto emocional para a mulher, independentemente da idade gestacional. As transformações ocorridas na relação do casal são notórias, verificando-se uma maior proximidade entre os progenitores. Contudo, nem todas as situações se traduziram por um clima de bom entendimento e de ajuda mútua entre o casal. A compreensão aprofundada do fenómeno da perda gestacional e do processo de luto fornece aos profissionais de saúde conhecimentos que lhes permitirão adotar atitudes e comportamentos adequados, de forma a facilitar este luto.

Palavras-chave: morte fetal, mulher, luto, vivências significativas.

Nota biográfica: Mestrado em Enfermagem de Saúde Familiar, UTAD. Pós-Graduação em Gestão e Administração de Serviços de Saúde, Escola Superior de Saúde de Viseu. Curso Pós-Licenciatura de Especialização em Enfermagem de Reabilitação, Escola Superior de Enfermagem Cruz Vermelha Portuguesa de Oliveira de Azeméis. Curso Complementar de Enfermagem, Escola Superior de Enfermagem da Cidade do Porto. Bacharelato de Enfermagem, Escola Superior de Enfermagem Dr. Lopes Dias em Castelo Branco. Interlocutora de Enfermagem do Centro de Aveiro (2013-2019). Membro representante do Ministério da Saúde na CPCJ de Aveiro (fev. 2016-dez. 2018). Responsável pelo serviço de Esterilização do Centro de Saúde de Aveiro (2013-2019). Responsável pelo serviço de Farmácia e Aprovisionamento do Centro de Saúde de Aveiro. Responsável pelo serviço de Vacinação da UCC de Aveiro. Funções de orientação e coordenação de enfermagem da UCSPII de Aveiro até jan. 2015. Responsável pelo serviço de Farmácia da UCSPII de Aveiro até jan. 2016. Responsável pelo serviço de Vacinação da UCSPII de Aveiro até jan. 2016. Elemento da Equipa de Intervenção Precoce de Aveiro até maio 2014. Elemento eleito para Comissão Paritária de Avaliação da Carreira Especial de Enfermagem (2018-2021). Participação no júri do processo de avaliação de período experimental. Estágio no Centro de Hemodiálise-Nefronorte. Integração num grupo de trabalho que elaborou um estudo de caso sobre Terapia Compressiva. Integração num grupo de trabalho que elaborou um estudo de investigação descritivo-comparativo apresentado em forma de póster na XIV Reunião da APEDT alusivo à relação enfermeiro/pessoa com insuficiência renal crónica. Participação na operacionalização/acompanhamento do programa de implementação do sistema de documentação de cuidados de enfermagem, segundo a CIPE, da Unidade de Cuidados Intermédios de Medicina do Hospital padre Américo do Vale de Sousa. Participação na operacionalização/acompanhamento no projeto de investigação Integração da Família no Planeamento da Alta, no Serviço de Mulheres do Hospital Padre Américo do Vale de Sousa. Formadora no Curso Doentes com Feridas Crónicas promovido pela Direção de Enfermagem do Agrupamentos de Centros de Saúde do Baixo Vouga (2018). Formadora no Curso de Doentes com úlceras venosas e terapia compressiva promovido pela Direção de Enfermagem do Agrupamentos de Centros de Saúde do Baixo Vouga (2018). Apresentação de um seminário subordinado ao tema Violência Infantil em Contexto Familiar-Prevenção e Intervenção no Curso de Mestrado em Enfermagem de Saúde Familiar, da Escola Superior de Saúde da Universidade de Aveiro (2017). Participação na formação de Formadores do Programa GOSTO, no âmbito do Projeto Não às Diabetes! Desafio Gulbenkian (2017). Colaboração com a Escola Superior de Saúde da Universidade de Coimbra na qualidade de tutora e supervisora de Alunos do Curso de Pós-Licenciatura em Enfermagem de Reabilitação. Colaboração com a Escola Superior de Saúde da Universidade de Aveiro na qualidade de coordenadora local de estágio e supervisor de Alunos do Curso de Licenciatura em Enfermagem. Colaboração com a Escola Superior de Enfermagem Cruz Vermelha Portuguesa de Oliveira de Azeméis na qualidade de supervisora de alunos do Curso de Licenciatura de Enfermagem. Colaboração com a Escola Superior de Saúde, Instituto Politécnico de Portalegre, na qualidade de enfermeira orientadora de alunos do Curso de Licenciatura de Enfermagem. Certificação Internacional: Practitioner em Programação Neurolinguística do InPNL (2016). Participação no Curso de Formação em Proteção à Infância e Juventude (2016). Participação com a comunicação «Berço Vazio» nas VII Jornadas de Obstetrícia: Por uma vida melhor…. (2015). Participação com o póster «Histerectomia: e agora» nas VII Jornadas de Obstetrícia: Por uma vida melhor…. (2015). Participação com a comunicação «A família na prevenção da obesidade infantil» no I Congresso Internacional em Saúde da Criança (2015).

Isabel Nunes

Título da oficina: Sublimação da morte através da pintura

Resumo: Apresentar a morte como realidade que nos cerca. 
Dar espaço a todos para comentários e para questões que queiram partilhar.
Introdução à pintura abordando em primeiro lugar a sua importância na vida humana como instrumento libertador e afirmativo da nossa personalidade. E em segundo lugar princípios técnicos elementares que permitam os participantes pintar.
Momento de interiorização.
Pintura em conjunto, espaço para que todos deixem as suas marcas através da pintura e interação com a pintora.

Nota biográfica: Isabel Nunes, nasce em Parede, Cascais. Licenciada em História, opção História de Arte, pela Universidade Nova de Lisboa, frequenta, entre 1991 e 1993 o Curso de Pintura da Academia de Artes Visuais de Macau, após anos de prática de pintura livre. Frequenta a International School of Art, Montecastello di Vibio, Itália, e a Painting Master Class no University College of London Slade School of Fine Art, Londres, Reino Unido.
Exposições Individuais
2018 «Fado», Hotel M’Ar de Ar Aqueduto, Évora. “The Skin of Time”, The Gallery Steiner, Viena de Áustria.
2016 «Do Ocidente ao Oriente – Diálogos», Fundação D. Luís I, Centro Cultural de Cascais.
2013 «Angola – CRER – Imagens de uma Aventura», Memorial Dr. Agostinho Neto, Luanda, Angola.
2012 «A Geração de 500», Consulado Geral de Portugal em Macau, Macau. «Entre tanto… Florbela», Biblioteca Municipal Afonso Duarte, Montemor-O-Velho. «A Geração de 500», Panteão Nacional, Lisboa. «CRER – Imagens de uma Aventura», Museu Pio XII, Braga. Lançamento do livro com o mesmo título pela Paulus Editora.
2011 «Entre tanto… Florbela», Biblioteca Municipal Eugénio de Andrade, Fundão. Galeria Galveias, Lisboa. «Isto é o Meu Corpo», Mosteiro de S. Vicente de Fora, Lisboa.
2010 «Entre tanto… Florbela», Biblioteca Municipal Natércia Ruivo, Almeida. «A Geração de 500», Moagem – Cidade do Engenho e das Artes, Fundão.
2009 «A Geração de 500», Igreja da Graça, Santarém. «A Geração de 500», Igreja de Santiago, Castelo de Palmela.
2008 «Spring Water», Museu da Água de Coimbra, Coimbra. «A Geração de 500», Núcleo de Arte Sacra do Museu Municipal
2006 Galeria Vértice, Lisboa. Galeria Municipal de Exposições, Vila Franca de Xira. «Paisagens do Vinho», Palácio da Bolsa, Porto.
Galeria São Francisco, Lisboa.
2005 Casa de Cultura D. Pedro V, Mafra. «Fronteiras», Galeria ArtEmporio, Lisboa.
2003 Galeria Municipal de Exposições, Vila Franca de Xira. Galeria da Livraria Pretexto, Viseu. «Magia da Música», Centro Cultural de Cascais, Cascais. Exposição Antológica por ocasião do lançamento do livro Isabel Nunes – Um Percurso na Pintura e na Vida, Museu da Água da EPAL, Mãe d’Água das Amoreiras, Lisboa.
2002 «Notas Soltas», Casa Museu Teixeira Gomes, Portimão. Galeria ArteDoze, Miraflores, Algés. Casa de Bocage, Setúbal.
2001 «Notas Soltas», Galeria ArtEmporio, Lisboa. Espaço Bentley Lisboa, Lisboa.
2000 «Referências do tempo que passa», Museu da Água da EPAL, Mãe d’Água das Amoreiras, Lisboa. «Suaves contrastes», Galeria Vértice, Lisboa.
1999 «Entre Tempos», Palácio Beau Séjour, Câmara Municipal de Lisboa.
1998 «Notas Cromáticas», Auditório Municipal, Vendas Novas.
1996 «Ambiências», Missão de Macau, Lisboa. “Ambiências”, Museu do Trabalho Michel Giacometti, Setúbal. “Fantasia”, Museu da Água da EPAL, Estação Elevatória dos Barbadinhos, Lisboa.
1995 «Águas Livres», Palácio Beau Séjour, Câmara Municipal de Lisboa.
1994 Galeria de Exposições da Livraria Portuguesa, Instituto Português do Oriente, Macau.
1993 Pousada de São Tiago, Macau, apoio da Fundação Oriente.
Exposições Coletivas
2017 Lisbon Art Fair, Cordoaria Nacional, Galeria Microarte, Lisboa.
2006 ARTE LISBOA – Feira de Arte Contemporânea F.I.L, Galeria S. Francisco, Lisboa.
2005 XIX Salão de Outono – Galeria de Arte do Casino do Estoril.
2004 2.ª Feira de Arte do Estoril, Centro de Congressos do Estoril, Estoril. Exposição Colectiva «Born in Europe», Berlim, Alemanha.
2003 1.ª Feira de Arte do Estoril, Centro de Congressos do Estoril, Estoril.
2002 5.ª Semana Cultural da China, «Visões da China – Da interioridade ao olhar de quem descobre…», Delegação Económica e Comercial de Macau, Lisboa.
2001 Real Associação de Lisboa, Museu da Água da EPAL, Estação Elevatória dos Barbadinhos, Lisboa.
2000 Exposição de Arte Contemporânea Portuguesa, da PriceWaterhouse & Coopers, Museu da Água da EPAL, Reservatório da Patriarcal, Lisboa.
1999 II Bienal do Alentejo (núcleos de Alcácer do Sal e do Gavião). Colectiva organizada pela Associação Portuguesa dos Familiares e
Amigos dos Doentes de Alzheimer e pelos Laboratórios Pfizer, Centro Cultural de Belém, Lisboa. «Arte Expo 99», Las Vegas, Estados Unidos da América.
1998 «10 Anos de Arte – Retrospectiva da Colecção da EPAL», Museu da Água da EPAL, Estação Elevatória dos Barbadinhos, Lisboa.
IV Exposição Internacional de Artes Plásticas de Vendas Novas. 
1997 «Arte é Feminino III», Auditório Municipal, Vendas Novas. Fundação Pedro Falcão e Yanrub, Cascais. I Bienal do Alentejo (núcleos de Beja e Reguengos de Monsaraz). «Pearson Gallery», Londres, Reino Unido. III Exposição Internacional de Artes Plásticas de Vendas Novas. I Exposição Internacional da Vila da Moita. Galeria LCR, Sintra.
1996 II Exposição Internacional de Artes Plásticas de Vendas Novas.
1995 «Alunos da International School of Art», Galeria do Northern Trust Bank of Naples, Flórida, Estados Unidos da América. III Bienal de Artes do Sabugal (II Internacional de Sabugal e Ciudad Rodrigo). I Exposição Internacional de Artes Plásticas de Vendas Novas.
1994 Galeria da International School of Art, Montecastello di Vibio, Itália.“Os artistas contemporâneos de Macau”, Galeria de Exposições da Casa Garden, Fundação Oriente, Macau.
1993 «Trilogia», Galeria 810, Macau.
1992 «Classe Portuguesa», Galeria de Exposições da Livraria Portuguesa, Macau.

Agraciada com o prémio FEMINA 2016 por mérito nas Artes Plásticas e Visuais, e em 2017 recebe o prémio de Arte e Cultura da revista FRONTLINE.

Antologiada nas obras Artistas Contemporâneos de Macau, Fundação Oriente, Macau (1994); Dez Anos de Arte – Retrospetiva da Coleção da EPAL, edição do Museu da Água da EPAL, Lisboa (1998); Macau – Século XX: Dicionário de Artistas Plásticos (volume I), edição Fundação Oriente, Lisboa; Isabel Nunes – Um Percurso na Pintura e na Vida, editora Caleidoscópio, Lisboa (2003); dicionário Arte no Feminino – quem é quem na Pintura Portuguesa no Século XXI, Produções Anifa Tajú, Lisboa (2007); Florbela Espanca na Pintura de
Isabel Nunes, editora Caleidoscópio, Lisboa (2018).
Escreveram sobre a sua obra Fernando António Baptista Pereira, Rocha de Sousa, Ana Duarte, Margarida Marques Matias, Carlos Marreiros, Fernando Conduto, Fernando Dias, Fernando Guedes, Afonso de Almeida Brandão, Luísa Soares de Oliveira, Isabel Lousada e Nuno Júdice.
Encontra-se representada em coleções privadas e públicas, em Portugal, Macau, Reino Unido, Finlândia, Alemanha, Itália e, nas coleções da Autoridade Monetária e Cambial de Macau, Estação de Tratamento de Águas Residuais de Macau, Internacional School of Art (Itália), Câmara Municipal de Lisboa, Missão de Macau em Lisboa, Museu da Água da EPAL, Câmara Municipal de Vendas Novas, Câmara Municipal de Portimão, Câmara Municipal de Setúbal, BP Portugal, Câmara Municipal de Mafra, Palácio da Bolsa (Porto), sede do Banco Finantia (Lisboa), Biblioteca Municipal Eugénio de Andrade (Fundão), Fundação Nacional do Museu Ferroviário (Entroncamento), Instituto Português do Oriente (Macau) e na coleção de Suas Santidades, o Papa Emérito Bento XVI e o Papa Francisco (Vaticano).

Jacinto Farias

Título da comunicação: A espiritualidade e os sacramentos da iniciação escatológica: a ajuda da Igreja na preparação para a morte

Resumo: O que se pretende na comunicação é mostrar que a espiritualidade – a devoção mariana dos primeiros sábados, na mensagem de Fátima, e devoção ao Coração de Jesus, nas primeiras sextas-feiras – é, com os sacramentos da iniciação escatológica – penitência, unção dos doentes e viático –, o que a Igreja oferece ao cristão para se preparar para a morte, porque o pensamento da morte ajuda a tomar a sério a vida.

Palavras-chave: espiritualidade, sacramentos, escatologia, devoções.

Nota biográfica: José Jacinto Ferreira de Farias é professor catedrático da Faculdade de Teologia. Doutor em Teologia pela Universidade Gregoriana (Roma) e licenciado em Filosofia pela Universidade de Lisboa. Licenciado pela Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa. Leciona na área de Teologia Dogmática. As linhas de investigação privilegiadas situam-se nas seguintes áreas: Soteriologia/Antropologia Teológica, Teologia Sacramental e Teologia Trinitária, e Espiritualidade. É autor de diversas obras e artigos científicos, e integrou diversas comissões científicas (Apoio ao Comissariado da representação da Santa Sé na Expo 98, comissões organizadoras de congressos internacionais, etc.). Lecionou no Seminário Interdiocesano São Pio X, em Maputo. Lecionou no seminário diocesano Redemptoris Mater, em Copenhaga, Dinamarca. É membro do Conselho Científico da Faculdade de Teologia. É membro da Sociedade Científica da Universidade Católica Portuguesa e foi membro da sua Direção. É assistente eclesiástico da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre. É conselheiro espiritual da Equipa Responsável Internacional (ERI) das Equipas de Nossa Senhora. Foi diretor da revista Didaskalia. Foi membro da Direção da Faculdade de Teologia, na qualidade de secretário. É sacerdote dehoniano.

Joana Marques

Título da oficina: A morte na filosofia para crianças

Resumo: A filosofia para crianças dá aos mais novos a possibilidade de pensarem e discutirem livremente qualquer tema que os provoque. Aprendendo a escutar o outro, refletindo sobre o seu ponto de vista, na cabeça de cada um surgem os primeiros passos para uma argumentação. 
Com menos de dez anos, abordar o tema da morte é, em simultâneo, difícil e necessário. Suscita curiosidade, mas aproxima-os da dor e da capacidade de lidar e superar a mesma. 
Com os mais novos, parece mais fácil iniciar esta temática a partir do conceito de fim e da ideia de mudança. Compreendendo que, na vida, muitas vezes somos forçados a reagir perante diferentes etapas, visualizando o que perdemos e como nos podemos adaptar, vai sendo criado um paralelismo com a ideia da morte. Conseguir aceitar cada fase e retirar sementes de esperança de toda a experiência é o objetivo mais complicado, mas também o mais feliz. 

Nota biográfica: Nascida em 1987, em Lisboa. Licenciada em Filosofia pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Concluiu o Mestrado em Ensino da Filosofia em 2011 e é professora no Colégio do Sagrado Coração de Maria, de Lisboa, desde 2010. Aí já leccionou Filosofia, Filosofia para Crianças, Psicologia, História e Geografia de Portugal e Emrc. Neste momento, prepara-se para entregar a sua tese de Doutoramento em Filosofia da Educação. 
Participou em várias conferências alusivas ao tema da educação da filosofia e tem alguns artigos publicados sobre o tema. 
Foi oradora no Projeto Ensino/ Aprendizagem da Filosofia, organizado pelo Centro de Filosofia da FLUL, bem como no colóquio Women in Philosophy, em Edimburgo. 

Joana Martins

Título da comunicação: A ritualidade da morte nos media

Resumo: O carácter disruptivo da morte motivou o estudo acerca da cobertura que os meios de comunicação social fazem da morte das personalidades públicas. Tendo em conta os diferentes graus de notoriedade das figuras públicas, e partindo da elevada noticiabilidade da morte nos media, analisamos a cobertura do falecimento de 20 personalidades portuguesas em 3 jornais diários nacionais: Correio da Manhã, Diário de Notícias e Jornal de Notícias
O nosso estudo de caso englobou a cobertura da morte de António de Oliveira Salazar, Fernando Pascoal das Neves, Francisco Sá Carneiro, Joaquim Agostinho, António Variações, José Afonso, Carlos Paião, Miguel Torga, Beatriz Costa, António de Spínola, Vítor Baptista, Amália Rodrigues, Sophia de Mello Breyner, Álvaro Cunhal, José Megre, Raul Solnado, José Saramago, António Feio, Angélico Vieira e Eusébio da Silva Ferreira. 
Analisando os ecos da morte de figuras tão díspares como Eusébio ou Sá Carneiro, abrangendo circunstâncias e incidentes tão diversos como a morte por doença ou os inesperados acidentes automóveis, e tocando áreas tão distintas como a política ou a música, foi nossa intenção debruçarmo-nos sobre a evolução do tratamento jornalístico, mas também de diferentes abordagens e de narrativas específicas sobre as diferentes figuras públicas. 
Conseguimos identificar um paralelo entre os ritos de passagem, teoria do antropólogo Van Gennep, e a forma como os jornais constroem o luto coletivo. A ideia dos ritos de separação, de transição e de reintegração tem eco na construção mediática, patente na reconstrução da vida do falecido através de biografias, na cobertura das exéquias e das cerimónias, e no restabelecimento da ordem, dando conta do legado do falecido e das homenagens que se seguem à sua morte. 
No caso do padrão verificado nos jornais que analisámos, podemos subdividir a morte de personalidades em três sequências rituais: síntese, exéquias e co-memoração. O periódico começa por sintetizar a vida da personalidade, através da publicação de biografias e notícias que descrevem as circunstâncias da sua morte. Segue-se a cobertura das exéquias, onde se inclui o velório, o funeral e, eventualmente, a missa de sétimo dia. Por último, no âmbito da co-memoração encontramos as homenagens, bem como as efemérides, estas últimas como uma forma de recordar a vida da personalidade.

Palavras-chave: Morte, ritos, celebridades, luto, narrativas mediáticas.

Nota biográfica: Joana Martins foi jornalista do Diário de Coimbra e do Diário de Viseu e atualmente é professora adjunta convidada na Escola Superior de Educação de Viseu – Instituto Politécnico de Viseu, onde leciona ao curso de Comunicação Social. Licenciada em Jornalismo pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (FLUC), terminou o mestrado na Universidade Fernando Pessoa em 2006, acerca da temática de imprensa regional. Em outubro de 2017, concluiu, na FLUC, o doutoramento em Ciências da Comunicação, com uma tese intitulada A Morte na Imprensa. A Evolução Mediática da Morte de Figuras Públicas.

João Batista

Título da comunicação: O temor da morte no Leal Conselheiro de D. Duarte e sua relação com a doença depressiva

Resumo: A presente comunicação aponta para a relevância do defrontamento da morte na vida e obra do rei D. Duarte, particularmente no que à experiência da doença depressiva diz respeito. Recordado como O Eloquente, é muitas vezes referido também como o rei triste, em função da depressão que o ensombrou durante três anos, a partir de 1415, e da qual deixou relato no Leal Conselheiro, obra constituída por vários textos da sua autoria, que se acredita ter sido compilada em 1438, ano em que faleceu. Esse relato permitiu algumas incursões ao tema por autores ligados à psicologia e à psicoterapia. Também no campo historiográfico a depressão do rei tem sido evocada, não obstante uma maior preocupação com os problemas políticos do seu reinado. Logo na década de 1890, Oliveira Martins construi uma imagem de D. Duarte enquanto um rei passivo, inerte e fraco, cujo carácter melancólico conduzira a um reinado desastroso. Mais recentemente, o historiador Luís Miguel Duarte viu na associação ao trono a principal causa da doença que classificou, ainda que de forma não assertiva, como uma «depressão por esgotamento». 
A análise do Leal Conselheiro a que aqui se procede não corrobora, como se procurará demonstrar, as visões acima enunciadas. Nas várias referências à depressão que se encontram na obra, muitas em textos que lhe são integralmente dedicados, o rei versa sobre o papel central do confronto com a morte no despoletamento da mesma – primeiro, aquando da propagação da peste pela cidade de Lisboa e, depois, pelo seu próprio adoecimento. Aponta ainda para o período de enfermidade e morte de sua mãe enquanto uma fase que lhe terá permitido afastar o temor da própria morte do pensamento e, consequentemente, ultrapassar a depressão. De resto, importa notar que é precisamente com o intuito de contribuir para a superação daqueles que viessem a passar por experiência similar que D. Duarte, segundo o que afirma, se presta a escrever sobre a sua. Posto isto, o Leal Conselheiro será evocado não só enquanto testemunho da relação entre o confronto com a morte e a doença depressiva, mas como instrumento construído no sentido de educar para estas questões. Para mais, a forma como o rei as pensa permitirá o estabelecimento de uma ligação com as reflexões de filósofos da contemporaneidade como Kieerkgaard e Heidegger, em particular pela relação com as ideias de angústia e finitude, respetivamente. Por esta via, é visada também uma valorização da dimensão ontológica da sua obra, à qual parece não ter sido ainda dada a devida atenção.

Palavras-chave: D. Duarte, depressão, morte, educação, ontologia.

Nota biográfica: João Batista é mestrando em História Contemporânea pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas de Lisboa, instituição pela qual se licenciou em História. Aí desenvolveu interesse por áreas diversas, entre as quais a Ciência Política, a Filosofia, a Literatura ou a Musicologia. Tem colaborado com o Programa Memória Para Todos do Instituto de História Contemporânea da FCSH-UNL e está de momento envolvido na preparação da Conferência Internacional Um Século de Internacionalismos: A Promessa e os Legados da Sociedade das Nações, organizada pelo mesmo instituto, que decorrerá entre 18 e 20 de setembro de 2019, em Lisboa. Com incursões em temáticas variadas, a investigação por si desenvolvida tem pendido essencialmente sobre a política colonial durante o período crepuscular do colonialismo português.

P. José Nuno Silva

Nota biográfica: José Nuno Ferreira da Silva é padre da diocese do Porto desde 1989.
Durante dezoito anos foi Capelão do Hospital de S. João. Estudou bioética na Faculdade de Teologia da UCP. Já doutorando no Instituto de Bioética da mesma Universidade, conclui o master em pastoral da saúde no Instituto Internacional de Teologia e Pastoral da Saúde, em Roma. Na Faculdade de Medicina da UP fez uma pós-graduação em antropologia médica.
Doutorou-se em Bioética em janeiro de 2012, com a dissertação A Morte e o Morrer entre o Deslugar e o Lugar – Precedência da Antropologia para Uma Ética da Hospitalidade e Cuidados Paliativos.
Desde 2002 a 2012, foi coordenador nacional das capelanias hospitalares, tendo integrado durante esse período o comité da Rede Europeia de Capelanias Hospitalares. Em 2009, é responsável pela criação em Portugal do Grupo de Trabalho inter-religioso Religiões/Saúde.
Integrou a Comissão de Ética do Instituto Nacional de Saúde Pública Ricardo Jorge e lecionou em diversas escolas superiores de Saúde, nas áreas da Antropologia, da Ética e da Espiritualidade da Saúde. É professor de Antropologia Médica na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto e de Pastoral da Saúde no Seminário Maior do Porto.
Em 2012, fez um estágio de três meses na Comunidade l’Arche de Trosly Breuil.
Em outubro de 2016 foi chamado para o Santuário de Fátima, onde é capelão e diretor do Departamento de Pastoral da Mensagem de Fátima.

 

Luís Tarujo

Título da comunicação: A banalização da morte segundo Dan Brown

Resumo: Pretende-se, com o presente estudo, refletir acerca da problemática da morte na obra édita de Dan Brown. Escritor mal-amado pelos académicos, que o consideram demasiado populista para figurar entre os melhores do mundo, e admirado por uma legião de fiéis leitores, Brown tornou-se, sem dúvida, num dos ficcionistas mais conhecidos da atualidade.  Sem querer dissecar exaustivamente a problemática do cânone literário e das qualidades que uma obra de arte deve possuir para aceder a tal galardão, afigura-se-nos premente elencar as causas do inegável sucesso do autor, uma vez que, na nossa modesta opinião, os sucessivos recordes de vendas dos romances brownianos se devem à visão da morte que o escritor norte-americano pretende plasmar nas sete obras publicadas até ao momento, a que não serão alheios os princípios basilares da noética. Assumidamente anticatólico, Dan Brown insurge-se contra uma religião cujo discurso oficial é marcado pelo estigma da morte, pondo em causa, inclusivamente, o papel de Deus tal como as religiões o concebem. Se este é um dos desígnios dos romances que constituem o nosso corpus de análise, não podemos olvidar que aqueles se assumem, concomitantemente, como a materialização do mal, na esteira das conceções filosóficas de André Jacob e Georges Bataille. A quase obsessão pela morte leva Dan Brown a montar um cenário dantesco, com tessituras boscheanas, ao longo das páginas dos seus mais conhecidos romances. Sem falsos pudores, o notável escritor americano aborda o mal na sua forma mais perfeita, sendo o móbil da diabolização de um mundo que, com crueza, nos apresenta, paradoxalmente, como um espaço de encantamento. Neste sentido, é nosso propósito dialogar com os escritos do autor e traçar o perfil da morte que o catolicismo, ao longo dos séculos, construiu e, ao mesmo tempo, questionar a validade do nascimento de uma cultura de banalização da morte – fruto de confrontos entre a ciência e a religião exaustivamente cotejados pelos media – que Brown fez questão de traduzir e colocar ao alcance de todos. 

 Palavras-chave: literatura, morte, Deus, catolicismo, noética. 

Nota biográfica: Luís Tarujo é doutor em Literaturas e Culturas Românicas, especialidade de Literatura Portuguesa (2013), e mestre em Estudos Portugueses e Brasileiros (1999), pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Licenciou-se em Ensino de Português e Francês, na Universidade de Aveiro, em 1989. Tem lecionado Português e Literatura Portuguesa no ensino secundário e, como assistente convidado da Escola Superior de Educação Jean Piaget, desde 1999, as disciplinas de Literatura Portuguesa, Língua e Literatura Portuguesa: Evolução e Didática da Língua Materna, Literatura Infantojuvenil e Expressão Poética, e Evolução da Comunicação Linguística e Didática da Língua Materna. Tem participado em vários congressos, em Portugal e no estrangeiro, apresentando comunicações nas áreas do teatro de cordel, da ekphrasis e da literatura infantojuvenil, temáticas sobre as quais tem publicado livros e artigos. Tem arguido teses de mestrado na Faculdade de Letras da Universidade do Porto e no Instituto Piaget. É Investigador do IELT – Instituto de Estudos de Literatura e Tradição, da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, e colaborador do CITCEM – Centro de Investigação Transdisciplinar Cultura, Espaço e Memória, da Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Concluiu, em 2015, nesta Faculdade, o Pós-Doutoramento em Literatura Portuguesa Contemporânea sobre a obra de José Saramago.

Manuel Matos

Título da comunicação: A morte do homem: da desconstrução caótica à integração harmónica

 Resumo: O propósito da minha comunicação visa três objetivos: 
Primeiro objetivo: oferecer aos ouvintes uma visão cristã da morte, com fundamentação na Revelação bíblica. Para tanto, interrogamo-nos sobre o sentido da morte em geral e do morrer individual.
Segundo objetivo: afastar o medo da morte, pela compreensão de um fenómeno natural, mas em que foi introduzido um dado criacional novo – uma nova criação. Para respondermos a este objetivo, fazemos uma abordagem breve da cultura contemporânea face à morte, em contraposição com outras épocas da tradição cristã. Refletimos sobre as razões para a libertação do medo da morte, e como educar para a libertação desse medo. Tentaremos explicar o conceito escriturístico de nova criação.
Terceiro objetivo: perspetivar a morte com a integração na harmonia universal, rumo à Parusia. Em que sentido será a morte «o último inimigo a ser aniquilado»? Como entender o franciscanismo de «irmã morte»? Será ela, de algum modo, semelhante a uma irmã mais velha, que é capaz de levar pela mão os mais novos e de lhes ensinar os cantos da casa familiar?

Palavras-chave: desconstrução, medo, libertação, integração, Parusia.

Nota biográfica: Manuel Aberto Pereira de Matos, nascido em Argomil, Pinhel (1944), é sacerdote da Diocese da Guarda (ord. 1968). Licenciado em Filologia Clássica (Lisboa 1978) e em Teologia Pastoral (UCP 1984), fez licenciatura e doutoramento em Teologia Dogmática na Universidade Pontifícia de Salamanca (2002). Foi formador, docente e reitor do Seminário Maior da Guarda, professor e diretor do Instituto Superior de Teologia de Viseu. É vigário-geral da Diocese da Guarda, diretor da Escola Teológica de Leigos, e tem o encargo pastoral de várias paróquias rurais.

Marco Daniel Duarte

Título da conferência: A morte na arte: a tradução artística da (in)finitude

Resumo: O pensamento humano perante a finitude manifesta-se de diferentes modos, entre os quais se encontra a produção artística que regista a morte como tema iconográfico, mas também a produção material e imaterial que deriva do posicionamento do «Homem perante a morte», na célebre expressão de Philippe Ariès (1914-1984). Em cada conjuntura histórica, quer as artes do tempo quer as artes do espaço olharam para a finitude humana; em cada conjuntura histórica, quer as artes do tempo quer as artes do espaço, se viram convocadas para sobre o ser humano discursarem, sobre esse ser humano que sente, omnipresente, a presença da finitude.

Nota biográfica: Marco Daniel Duarte é diretor do Museu do Santuário de Fátima e do Departamento de Estudos da mesma Instituição religiosa, onde dirige o Arquivo e a Biblioteca. É ainda diretor do Departamento do Património Cultural da Diocese de Leiria-Fátima.
Doutorado em História da Arte pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, tem desenvolvido a sua investigação no âmbito dos estudos da Iconografia e da Iconologia, e, bem assim, no âmbito de diferentes temáticas relacionadas com o pensamento humano no contexto da História de Fátima. 
Pertence à Academia Portuguesa da História, como académico correspondente, à Academia Nacional de Belas-Artes, como académico correspondente nacional, é sócio efetivo da Associação Portuguesa de Historiadores da Arte, membro da Sociedade de Geografia de Lisboa e da Sociedade Científica da Universidade Católica Portuguesa. 
É investigador do CLEPUL, Centro de Investigação da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, e do CEIS20-UC, Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX, da Universidade de Coimbra, e entre 2012 e 2016 integrou o Seminário dos Jovens Cientistas do Instituto dos Altos Estudos da Academia das Ciências de Lisboa. 
Autor de vários estudos publicados em revistas científicas e editados em livro, alguns deles premiados, comissariou diversas exposições científicas subordinadas às temáticas da sua especialidade..

Marena Carolina Lesskiu

Título da comunicação: A morte como resposta? Uma leitura de «Lídia» (Maria Teresa Horta)

Resumo: Tendo em vista o aparente suicídio cometido pela personagem Lídia, protagonista do conto homónimo (1985), da escritora Maria Teresa Horta (n. 1937), bem como as questões apresentadas pela ficção em relação aos seus sofrimentos quotidianos, advindos, sobretudo, de opressões que lhe foram socialmente impostas, o objetivo deste trabalho é verificar se a mulher representada no conto passa por um movimento de autoconhecimento, se questionando e se reinventando enquanto indivíduo, com a retirada da vida se constituindo como uma conclusão natural desse processo. Se tal possibilidade de compreensão da trajetória de Lídia se vislumbra, um debate acerca da ideia do suicídio como algo negativo também se impõe. É nítido o interesse da narrativa em representar mimeticamente questões relacionadas à condição feminina, como a relação das mulheres com a opressão, o apagamento identitário vivenciado por muitas delas na sociedade e os fatores que podem levá-las a optar pela morte voluntária. Nesse sentido, buscaremos responder se há uma visão otimista por parte da protagonista com relação à morte e se a finitude é concebida na narrativa como redenção e libertação do ambiente no qual Lídia estava inserida, reverberando a ideia de que o suicídio foi uma reação à conceção de género feminino imposta pela sociedade que a cercava. Para procedermos à análise crítica do conto, utilizaremos as já clássicas proposições de Émile Durkheim (1858-1917), presentes na obra O Suicídio (1897) e os conceitos acerca da identidade feminina apresentados por Judith Butler (n. 1956) nos livros Problemas de Gênero: Feminismo e Subversão da Identidade (1990) e Bodies that Matter: on the Discursive Limits of «Sex» (1993).

Palavras-chave: «Lídia», Maria Teresa Horta, morte, ressignificação, género feminino.

Nota biográfica: Marena Carolina Lesskiu é graduanda em Letras Português/Inglês na Universidade Federal do Paraná, em Curitiba, Paraná, Brasil.

Maria da Conceição Azevedo

Título da oficina: Quando a morte bate à porta… – Viver o luto na escola

Resumo da oficinaO dever de “não causar dano” e o tabu da morte na escola. Vinculação e luto na infância: noções gerais Etapas evolutivas da compreensão da morte.
A vivência da perda e do luto das crianças: 
– luto por morte de avós, pais, um irmão, um amigo ou um colega de escola, um professor, etc.
– morte anunciada versus morte inesperada ou morte violenta.
Padrões de comportamento dos professores face aos alunos em luto.
Análise de casos práticos – o que pode ser mudado: atitudes e estratégias. 
A metodologia será eminentemente prática, com recurso a trabalho individual e de grupo​, assim como análise de excertos do filme Ponette, à espera de Um Anjo.

Nota biográfica: Professora catedrática da UTAD, na Escola de Ciências Humanas e Sociais. Exerce as funções de presidente do Conselho Científico desta escola desde 2017. A sua formação académica foi a seguinte: licenciada em Filosofia pela Faculdade de Filosofia da Universidade Católica Portuguesa (1982); mestre em Filosofia Moderna e Contemporânea pela mesma universidade (1985); doutora em Educação/ Filosofia da Educação pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) (1994) com a tese Fernando Pessoa Educador: Encontro de Si Próprio, Consciência da Missão, Fidelidade ao ser. Foi presidente da Comissão de Ética da UTAD e provedora do Estudante de 2013 a 2017. Os seus interesses de investigação situam-se na área da Filosofia da Educação e da Ética e Deontologia Profissional. Tem tratado, em algumas publicações, a temática da educação para a morte, tanto na perspetiva escolar como na educação de adultos.

Maria Helena Cunha

Título da Oficina: Quando a arte fala da morte.

Resumo: Todos sabem que a morte é sinónimo de perda e de desaparecimento e que, por consequência, é uma realidade dura de suportar. Muitos entendem que o caminho mais fácil será o de silenciar ou abordar a morte de uma maneira evasiva com os mais jovens, tornando-a um tema tabu da existência humana. Muitos pensam que só vale a pena falar sobre o assunto quando o jovem passar por essa experiência. E, no entanto, a morte está tão enraizada no quotidiano das nossas vidas que nos obriga a uma consciencialização e uma outra dinâmica junto dos nossos jovens.
Muitos julgam simplesmente que é uma questão a ser tratada pela família ou por psicólogos. Também, mas quanto tempo passam os nossos jovens nas escolas? Será que o professor não terá um papel preponderante para ajudar a evitar o isolamento, a negação e a depressão do aluno? E se encararmos a morte numa outra perspetiva que os ajude a compreendê-la e a vivenciá-la da melhor forma possível? E se encontrarem respostas numa das melhores formas do ser humano expressar os seus sentimentos e emoções e capaz de eternizar qualquer essência – na arte?
É a partir dos livros que esta oficina se debruçará, pois o seu mundo transfere consigo reflexões, fantasias, emoções e sensações para além de ampliar novos conhecimentos, auxiliando a conquistar e entender novas realidades. O objetivo será de apresentar sugestões de trabalho, propor estratégias e atividades criativas e diversificadas que possam ser desenvolvidas na escola e trabalhá-las em conjunto, pondo-as em prática.
Assim, esta oficina, voltada para a literatura infantojuvenil, pretende refletir, numa vertente prática e interdisciplinar, sobre o papel da literatura na abordagem do tema da morte a partir de várias obras que ajudam a explicar a morte às crianças, uma vez que é da leitura que nasce o saber e que é partilhando experiências e histórias que é possível transformar o livro num espaço onde a criança possa elaborar sensações que ainda não entendeu e sentir a naturalidade e o íntimo da vida.

Palavras-chave: Morte; literatura infantil; educação infantil; interdisciplinaridade; atividades criativas e diversificadas.

Nota biográfica: Maria Helena Pinto Cunha, mestre em Literaturas Românicas pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto (Tese intitulada O Cavaleiro de Oliveira e Aquilino Ribeiro – Heresias de Um Amor Conflituoso, orientada pela Prof. Doutora Maria Luísa
Malato Borralho). Participação com a Prof. Doutora Maria Luísa Malato Borralho no Colóquio Homenagem a Aquilino Ribeiro no cinquentenário da sua morte, com uma comunicação intitulada “Aquilino Ribeiro, leitor e editor de Cavaleiro de Oliveira”. Participação
no V Congresso Internacional em Estudos de Género no contexto italiano e em língua portuguesa, com a seguinte comunicação «O Cavaleiro de Oliveira e Félix José da Costa – Discursos apologéticos e filóginos sobre mulheres doutas em pleno século XVIII». Participação no I Congresso Internacional A Morte: Leituras da Humana Condição com a presente comunicação «Era uma vez a morte na literatura infantil – uma abordagem pedagógica».

Mariana Abranches Pinto

Título da comunicação: Death cafes e afins

Resumo: O tema da morte tornou-se tabu na nossa sociedade e é cada vez mais urgente recolocar este tema no centro do debate. Para isso, têm surgido diversas iniciativas, como por exemplo os death cafes. Trata-se de uma iniciativa internacional que promove a consciencialização e sensibilização sobre uma realidade que, embora nos seja desconfortável, faz parte da vida, e que é a morte. Nos death cafés, as pessoas bebem chá, comem bolo e falam sobre a morte. 
Este modelo foi fundado pelos ingleses Jon Underwood e Sue Reid, com base nas ideias do francês Bernard Crettaz. Existe um site (https://deathcafe.com) onde qualquer pessoa pode inscrever-se e publicitar um evento destes. É-nos oferecido um guião e podemos esclarecer todas as dúvidas. Esta excelente ideia espalhou-se rapidamente pela Europa, Austrália e Estados Unidos. Já aconteceram cerca de 8850 cafés em 65 países, tendo sido o primeiro em Londres, em setembro de 2011. 
Estes eventos servem para a troca de opiniões, experiências e pontos de vista sobre a morte, com o objetivo de quebrar o tabu e de sensibilizar para a naturalidade de algo tão quotidiano quanto a perda da vida. No death cafe, não há orientação, questões prévias e convidados, basicamente não há uma agenda. Pretende-se criar um espaço aberto, respeitoso e confidencial onde as pessoas se possam expressar. 
A Compassio – Associação para a Construção de Comunidades Compassivas foi fundada em junho de 2019 e o seu primeiro projeto é o Porto, Cidade Compassiva. Queremos contribuir para que a comunidade esteja mais atenta aos que sofrem e que tente aliviar esse sofrimento, que se envolva no cuidado. Neste projeto, teremos um foco especial no tema da doença, da morte, do tempo de morrer e do luto. Por isso, organizar death cafes enquadra-se na perfeição nos nossos objetivos. Acreditamos que, ao sermos mais conscientes da finitude da nossa vida, a vivemos melhor, com mais intensidade e sentido. Ao mesmo tempo, falar da morte, principalmente com os nossos seres queridos, permite viver melhor este tempo de morrer (o dos outros e o nosso). 
Já organizamos dois eventos na cidade do Porto (2 de junho e 7 de julho), que correram muito bem, com avaliações muito positivas. Pretendemos continuar a organizar, uma vez por mês, death cafes em locais diferentes da cidade para abarcar públicos diversos e cada vez vemos mais sentido nessa missão. 
É sobre esta ainda curta experiência que quero apresentar esta comunicação. Tentarei falar também de outras iniciativas no mundo sobre o mesmo tema como: os murais de «Antes de eu morrer», o dying matters do Reino Unido, o «One slide project» e as cartas facilitadoras de conversas sobre a morte do Coda Aliance. Todas estas iniciativas se integram também nos projetos das comunidades compassivas.

Palavras-chave: death cafe, morte, tabu, falar, comunidades compassivas.

Nota biográfica: Mariana Abranches Pinto tem formação de base em arquitetura paisagista, arte inspiradora e criadora de beleza onde trabalha há 20 anos. Mas a vida levou-a a contactar com a fragilidade, a sua e a dos outros, e isso provocou uma reviravolta pessoal e profissional! Hoje a área que a apaixona e onde quer estar ao serviço é no Cuidar; tendo como lema «Cuidar não é um peso, é um privilégio» (Emílio Molina) quer contribuir para a construção de comunidades compassivas em Portugal. Tem formação em espiritualidade e orienta exercícios espirituais. Fundou e é responsável nacional do Grupo Ao 3º Dia (https://grupoao3dia.wordpress.com/). Tem formação em comunidades compassivas e é cofundadora da Associação Compassio (https://www.facebook.com/Compassio-2178772388897041/).

Milena Albuquerque

Título da comunicação: Os caminhos para a imortalidade digital

Resumo: Este trabalho se propõe refletir como as pessoas, através dos progressos tecnológicos e digitais e do desenvolvimento de formas cada vez mais sofisticadas de inteligência artificial, compreendem e se relacionam com a morte e a busca pela imortalidade digital, que permite que a relação contínua e bem-sucedida entre amigos e familiares seja mantida pelas redes sociais, mesmo no pós-morte. «Vidas» que se firmam e se desenvolvem agora não somente pela capacidade biológica e física, mas também pela tecnológica e digital. Relativamente a esta tendência tecnológica e digital, fazemos uma analogia com o pensamento de Rodrigues (2006) a respeito de uma política de saúde, que, preocupada com a proliferação da morte, defende o afastamento dela no seio do social e a perpetuação da vida, com os fatores que fazem variar a longevidade humana. Para Martins (2015, p. 29), «os media digitais interativos significam a inovação, ou seja, implicam práticas que impõem uma intervenção tecnológica, que nos hibrida com as máquinas». Nesse contexto, é pertinente a discussão sobre os conceitos de imortalidade, hibridez e interatividade digital associados às novas condições tecnológicas do ciberespaço, presentes em alguns questionamentos que pretendemos responder ao longo desta investigação: será uma era da eterna sobrevivência digital? As novas tendências no lidar com a dor da perda de um ente querido surgem com alternativas tecnológicas que ajudam o Homem ocidental a superar o vazio interacional deixado pelo morto? A startup Eternime (http://eterni.me) é o objeto desta investigação, por oferecer a imortalidade digital aos seus clientes. O cliente, após uma inscrição no site da empresa, começa a colocar numa base de dados os seus materiais digitais: fotografias, correio eletrónico, mensagens, vídeos, contas nas redes sociais.
A investigação tem caráter qualitativo exploratório, tendo a revisão bibliográfica e a pesquisa na internet como procedimentos metodológicos. Vale ressaltar, no entanto, que se trata de relato parcial de uma cartografia bibliográfica, com exploração de diversos suportes, envolvendo livros, artigos em periódicos, sites, etc. Para entrelaçar tecnologia, redes sociais e morte, foram percorridas as seguintes linhas teóricas: Tecnologia e inteligência artificial: Martins (2012), Kurzweill (2005) e Rothblatt (2016); Redes sociais e ciberespaço: Lévy (1999), Ribeiro (2015) e Recuero (2014); Morte: Ariés (2012), Rodrigues (2006).

Palavras-chave: Morte; tecnologia; imortalidade; media digitais; interatividade.

Nota biográfica: Milena do Socorro Oliveira Albuquerque cursa atualmente o pós-doutoramento na Universidade da Beira Interior, na área de Comunicação, como investigadora do LabCom. Cursou o Doutorado em Comunicação, através do programa de Pós-Graduação do departamento de Comunicação da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro/Brasil, no período de agosto/2012 a setembro/2017. O Mestrado foi concluído em 2015, na Universidade Federal do Pará/Brasil, na área de Letras. Obteve uma especialização em Assessoria de Imprensa em 2000, pela Universidade Estácio de Sá, Rio de Janeiro/Brasil. A graduação em Comunicação Social: Relações Públicas foi concluída em 1998, na Universidade da Amazónia em Belém/Pará/Brasil. No campo profissional, coordenou os cursos de Comunicação Social: Relações Públicas (2003-2009) e Comunicação Social: Multimedia (2009-2017). Atua, principalmente, nas seguintes linhas de pesquisa: comunicação, media digitais, relações públicas, turismo e eventos, marketing, planeamento estratégico e assessoria de imprensa.

Noémia Certo Simões

Título da comunicação: «A morte é uma flor»: educar para morrer e viver com dignidade

Resumo: Nesta comunicação apresentamos uma proposta que visa cruzar a educação para a morte com questões relacionadas com a dignidade, os direitos humanos e a cidadania. 
Após uma breve revisão da literatura sobre estas temáticas, na qual relevamos a importância de integrar a educação para a morte no âmbito da educação para a cidadania e para os direitos humanos, avaliamos a pertinência/oportunidade das diferentes metodologias educativas nestes âmbitos, defendendo que a educação não formal será a que melhor se adequa ao desenvolvimento destes temas no contexto de educação de adultos. 
Apresentamos de seguida alguns exemplos concretos e ilustrativos, no contexto de universidades seniores da região de Lisboa, em que trabalhamos temas relacionados com morte e vida com dignidade através de metodologias de educação não formal (participativas e não diretivas) e nos quais combinamos a exposição interdisciplinar com a expressão dramática, jogos e partilha de histórias e testemunhos de vida. 
Por fim, fazemos uma avaliação critica do caminho já percorrido e apontamos pistas de reflexão e abordagem educativa em futuras ações no sentido de integrar o diálogo intercultural nestas temáticas. 

Palavras-chave: educar para a morte, dignidade, valores,  direitos humanos, cidadania, sustentabilidade.

Nota biográfica: Noémia Certo Simões tem uma longa experiência de formação de cariz interdisciplinar: é licenciada em Economia, mestre em Economia e Política Social pelo ISEG, e tem um curso de formação avançada (doutoramento incompleto) em Estudos Culturais pelas Universidades de Aveiro e do Minho. Além da formação académica em Ciências Sociais, tem estudos e interesses de investigação/ação no âmbito das ciências religiosas e das religiões. Tendo sido docente de matemática durante cerca de 27 anos em instituições de ensino secundário e superior, a autora está desde há muito tempo comprometida com a educação para a cidadania e para os direitos humanos colaborando com diversas associações e ONG nestes âmbitos. Atualmente, a autora é investigadora do CLEPUL e docente voluntária em diversas universidades seniores da região de Lisboa. É sócia fundadora do IEAC-GO e docente de disciplinas de ciências sociais e cidadania.

Porfírio Pinto

Título da comunicação: Entre o medo e o fascínio da morte: as interrogações dos nossos jovens

Resumo: A morte está omnipresente na cultura juvenil de hoje: filmes cada vez mais sangrentos, séries que parecem ignorar os derradeiros limites (mortos que regressam ao convívio com os vivos, zombies que povoam as nossas cidades…) e o fascínio pelas experiências de morte eminente. Que quer tudo isto dizer? Que desafios para a sociedade e para os grupos religiosos tradicionais? Tem ainda sentido um discurso teológico hoje em dia?

Palavras-chave: além, cultura juvenil, esperança, fascínio, medo.

Nota biográfica: Porfírio Pinto é licenciado e mestre em Teologia pela Universidade Católica Portuguesa (1990 e 1992, respetivamente) e doutor em Estudos de Literatura e Cultura pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (2018). Missionário na República Democrática do Congo durante 12 anos, esteve envolvido nas edições bíblicas para África e no movimento de apostolado bíblico mundial. Foi membro da equipa de revisores editoriais da Paulinas Editora e, atualmente, é investigador FCT da CIDH (Universidade Aberta/CLEPUL – Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa). Como investigador participa em vários projetos da Cátedra e do Centro: Projeto Vieira Global, Projeto Aprender Madeira (Dicionário Enciclopédico da Madeira), Dicionário Crítico das Heresias, Dicionário dos Antis e Obras Pioneiras da Cultura Portuguesa. É também membro do IEAC-GO.

Rita Leal

Título da comunicação: Vivências significativas da mulher na perda gestacional

Resumo: A gravidez representa uma experiência única para a mulher. Após a confirmação e aceitação da gravidez, os pais não pensam que algo possa correr mal, vivendo momentos de felicidade planeando a chegada do novo membro. Quando, durante a gravidez, ocorre a perda, há a destruição de expectativas, de sonhos, provocando alterações emocionais nos pais em resultado daquilo de que se viram privados. O objetivo deste estudo foi identificar os sentimentos vividos pela mãe e as transformações na relação do casal na perspetiva da mulher. 
Métodos: Utilizamos a narração de vivências significativas. O instrumento de recolha de dados foi constituído por questões de caracterização dos participantes e um guião de entrevista semiestruturada, que foi gravada em áudio. No total, foram realizadas oito entrevistas, quando obtida saturação de dados. No tratamento de dados, recorremos à analise de conteúdo seguindo os passos metodológicos de Bardin (2016). 
Resultados: Com esta análise, concluímos que, na perda gestacional, a mulher vivencia sentimentos de angústia, dor e incompreensão, independentemente da idade gestacional. Perante este evento, estiveram presentes transformações de sentimentos na relação do casal, que foram de união ou desvinculação. 
Conclusões: A perda gestacional tem impacto emocional para a mulher, independentemente da idade gestacional. As transformações ocorridas na relação do casal são notórias, verificando-se uma maior proximidade entre os progenitores. Contudo, nem todas as situações se traduziram por um clima de bom entendimento e de ajuda mútua entre o casal. A compreensão aprofundada do fenómeno da perda gestacional e do processo de luto fornece aos profissionais de saúde conhecimentos que lhes permitirão adotar atitudes e comportamentos adequados, de forma a facilitar este luto.

Palavras-chave: morte fetal, mulher, luto, vivências significativas.

Nota biográfica: Enfermeira especialista em Saúde Materna e Obstetrícia; mestre em Enfermagem de Saúde Familiar.
Trabalha na Unidade de Cuidados na Comunidade (UCC) Aveiro e é docente convidada a tempo parcial da Escola Superior de Saúde da Universidade de Aveiro.

Rodrigo Almeida e Sousa

Título da comunicação: A morte como metamorfose revolucionária: uma revisitação de Tetsuo: The Iron Man (1989)

 Resumo: Desde sempre, o desejo de imortalidade fez parte do imaginário humano. Mitos e lendas tais como o Santo Graal ou a Fonte da Juventude são bem ilustrativos do quanto esta ambição está enraizada na nossa mente, nas nossas projeções e idealizações psicológicas, bem como no entorno social e cultural que nos rodeia. Com efeito, se a morte nos preocupa, tanto no seu sentido comum como no heideggeriano, o sonho da imortalidade eleva ao infinito a vontade de poder que em todos nós cintila; na medida em que projeta o nosso instinto de afirmação para além da decadência e dos limites da carne. 
No entanto, a forma como idealizamos a imortalidade não foi sempre a mesma, esta tem variado conforme os tempos e as culturas. Sobretudo, mudou drasticamente após a Revolução Industrial. O homem do século XIX já não sonha com processos alquímicos ou fontes mágicas que fazem regredir o processo de envelhecimento; ele passa a crer fundamentalmente na ciência e no poder das máquinas. É, aliás, nesta época que surge a história de Frankenstein, de Mary Shelley. O também denominado Prometeu Moderno simboliza justamente esta mudança de paradigma, em toda a sua carga terrífica e sublime, cuja dialética psicológica do medo e da esperança nos envolve até aos dias de hoje. Deste modo, resta-nos questionar: Medo de quê? Esperança em quê?
Por um lado, temos o medo, pois a imortalidade passou a implicar necessariamente um processo de metamorfose, o qual se imagina extraordinariamente doloroso e imprevisível. Por outro, temos a esperança num novo mundo, um mundo sem morte – mas que só pode erradicar a morte forçando-se a morrer. Ou seja, a destruição do mundo passa a corresponder dialeticamente à sua única possibilidade de salvação. É este o núcleo fenomenológico do trans-humanismo, a corrente ideológica subjacente ao século XXI, a qual se caracteriza por ser intrinsecamente revolucionária. Naturalmente, existem vários registos cinematográficos que ilustram este complexo fenómeno, mas poucos serão comparáveis a Tetsuo: The Iron Man (1989), realizado pelo japonês Shinya Tsukamoto; na medida em que representa cada um dos elementos inerentes à conceptualização moderna da imortalidade e, de certo modo, profetiza o desejo hodierno de metamorfose trans-humanista revolucionária.

Palavras-chave: Trans-humanismo, imortalidade, utopia, ciborgue, cinema.

Nota biográfica: Rodrigo Almeida Sousa, nascido em Joanesburgo (1975), é um escritor e investigador académico no CITCEM (Universidade do Porto) com um currículo interdisciplinar: Filosofia (Licenciatura /UCP), Teoria da Literatura (Mestrado/FLUL) e Comunicação Audiovisual (PhD/Universidade Complutense de Madrid – Prémio Extraordinário de Doutoramento 2015-2016). Na sua pesquisa, relaciona habitualmente dinâmicas culturais, movimentos, tendências e eventos histórico-sociais com suportes e paradigmas mediáticos, com vista a examinar dilemas contemporâneos, particularmente no âmbito da criatividade e comunicação. Ultimamente, tem-se dedicado à investigação das culturas digitais no contexto da pós-verdade, e da forma como este se reflete nas narrativas audiovisuais e de entretenimento. Naturalmente, estes temas despertam-lhe interesse pessoal, já que também é autor de livros infantis de reconhecido êxito (ex. A Minha Escola Dava Um Filme, 2011) e de guiões de curtas e longas-metragens premiadas (ex. Gesto, Zulfilmes, 2011).

Rosário Lira
SAMP (Raquel Gomes e Joana Pinto)
Título da oficina: Acompanhar a morte com música 
 
Resumo: A música e o som como pedra angular invadem o interior de cada ser humano, chegando à sua essência. Quando tudo parece ter chegado ao fim, quando tudo parece já não fazer sentido, é quando percebemos que o mais importante acontece. Através do Ser, do Estar, do Som e da Arte, penetra-se mais fundo na Alma Humana.
 
Nota biográfica de Raquel Gomes: Nascida em 1972, Sé Nova – Coimbra, professora.
Licenciada no Curso Superior de Professores do Ensino Básico Variante Ed. Musical na ESE de Coimbra em 1997 e especializada em
Terapias Expressivas desde 2012 pelo ISLA, Lisboa.
Tem inúmeras formações ligadas à Musicoterapia e Terapias Expressivas Tem vindo a participar como Oradora em inúmeros congressos, encontros, e debates em Portugal e para além fronteiras. destacando somente alguns deles:
· TedEdges Lisboa (2011)
· Colóquio HumanizArte, Intervenções artísticas para um hospital mais Humano (Centro Hospitalar de São João – 2012)
· Na V edição do FIL (Festival Itenerente de Leirtura) em Brasília – 2018
· IX Congresso Nacional de Cuidados Paliativos e 8º Congresso de Cuidados Paliativos do IPO – Porto – 2018
. I Congresso Internacional A Morte: Leituras da Humana Condição – 2019
Atualmente é professora de Quadro encontrando-se em licença sem vencimento de longa duração. Dedica os seus dias à SAMP desempenhando o cargo de Coordenadora do Projeto SAMP Contigo.
Participa também como profissional em vários Projetos desta Escola de Artes: Berço das Artes, Guitarras Para Todos, e programas hospitalares e comunitários, como por exemplo: Prisão, Pediatria, Psiquiatria, Idosos, Unidade de Dor, Comunidades ciganas e Pessoas em Fase Terminal.
 
Nota biográfiica de Joana Pinto: Joana Pinto, 37 anos e mãe da Cecília.
Iniciou os seus estudos musicais aos 9 anos na SAMP na classe de saxofone do professor Alberto Roque, fez o curso profissional deste
instrumento na EPMA e tem a Licenciatura em Professores de Educação Musical do Ensino Básico pela ESEC. Em 2009 tirou um Máster em Musicoterapia pela Universidade de Alcalá de Henares. Está a terminar a especialização em Terapia não-verbal através do Centro Benenzon Portugal e tem feito todos os níveis com o professor Benenzon.
Trabalha desde 2010 na Escola de Artes SAMP em diversos projetos e com diferentes populações: música para bebés, música para pessoas com doença mental crónica, musicoterapia com pessoas com Alzheimer, música em lares de idosos bem como com acamados, música em hospitais, musicoterapia e intervenção precoce, musicoterapia com crianças e jovens com paralisia cerebral e música nas salas de multideficiência. Foi também musicoterapeuta na APPC durante três anos.
Tem feito inúmeras formações ao nível da musicoterapia, participando na organização e como oradora do EISA, Encontro Internacional de Saúde com Arte desde 2010.
Tem sido oradora em inúmeros congressos e encontros, salientando as primeiras jornadas de terapia não-verbal Benenzon e tem dinamizado vários workshops de musicoterapia, macrobiótica e viagens sonoras em diferentes contextos, dando um especial enfoque na prevenção unindo a musicoterapia com a macrobiótica.
Colabora há 3 com a escola de saúde do IPL, dando aulas de Musicoterapia no Curso de Terapia Ocupacional. Está também a fazer o curso de macrobiótica, orientação e estilo de vida através do Instituto Macrobiótico de Portugal.
 
SAMP – Sociedade Artística Musical dos Pousos é uma Instituição de Utilidade Pública fundada em 1873. Teve como primeiro presidente o Barão de Viamonte, figura de realce na política nacional, pertencente aos partidos regenerador e progressista, e por duas vezes Governador Civil do Distrito de Leiria. Entre as várias personalidades que então participaram na sua constituição conta-se Eça de Queiroz, um dos seus primeiros e maiores sócios beneméritos. Com actividade ininterrupta desde a fundação, apesar das crises provocadas pelas Grandes Guerras e pelas correntes emigrantes, a SAMP tem desempenhado um papel de relevo a nível regional, e nalgumas das suas áreas a nível nacional, seja pelo significativo número de artistas profissionais que dela têm saído, seja pela inovação e qualidade de alguns dos seus programas. Para além da Filarmónica, corpo histórico da instituição, de uma Escola de Artes com ensino oficial de Música, e de várias formações corais e instrumentais, a SAMP desenvolve em parceria com diversas instituições e órgãos do Estado um vasto leque de programas nos âmbitos da Formação, Musicoterapia e Terapias Expressivas. De toda a actividade SAMP destaca-se o seu projecto de ensino artístico dedicado à primeira infância, de que foi pioneira a nível nacional e se constitui como referência com alguns dos seus programas, bem como a forte intervenção social que assumem os vários programas que desenvolve no âmbito dos efeitos terapêuticos das artes.
Sónia Barbosa

Título da oficina: O teatro e a morte. Oficina de experimentação teatral

Resumo: Uma das possibilidades que o teatro inclui no seu amplo seio é a da aprendizagem através da simulação. As crianças, quando jogam ao faz-de-conta, estão a usar essa possibilidade para aprender a lidar com situações novas. O ritual e o mundo simbólico fazem parte dessas possibilidades do teatro. A morte através do teatro pode permitir-nos uma abordagem ritualizada, simbólica, ficcionada, que, nesse espaço protegido, nos concede uma proximidade, entendimento e catarse impossíveis noutro contexto. Podemos fazer de conta que morremos para compreendermos melhor a morte.

Nota biográfica: Sónia Barbosa é atriz, encenadora e formadora. Completou a licenciatura em Teatro/Interpetação em 1999 na ESMAE do Porto. Entre 2002 e 2009, viveu em Roma, Itália, onde trabalhou como atriz em inúmeros projetos teatrais em língua italiana. Em 2009, regressa a Portugal, fixando-se na cidade de Viseu. Continua a dedicar-se ao teatro enquanto atriz, mas agora junta-lhe também a dimensão do ensino e da criação/encenação. Docente na área do Teatro na Escola Superior de Educação de Viseu e na Escola Lugar Presente, é artista associada do Teatro Viriato e realiza Doutoramento em Estudos de Teatro na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

 

Tito de Morais

Título da oficina: A morte e a segurança das crianças na Internet

Resumo: Nesta oficina, iremos abordar as várias maneiras como crianças e jovens, mas também adultos, podem ser expostos na Internet de forma inusitada a conteúdos potencialmente traumáticos relacionados com a morte. Para além de vermos que conteúdos são esses, iremos também fornecer informação relativamente às ferramentas tecnológicas de que famílias, escolas e comunidades dispõem no sentido de minimizar os danos potenciais da exposição inusitada de crianças e jovens a fotos e vídeos relacionados com a morte, na Internet em geral e nas redes sociais em particular. Demonstraremos também algumas funcionalidades disponibilizadas nas redes sociais, no Facebook em particular, relacionadas com a morte dos seus utilizadores.

Nota biográfica: Tito de Morais é o fundador do Projeto MiudosSegurosNa.Net, uma iniciativa familiar que, desde 2003, ajuda famílias, escolas e comunidades a promover a utilização ética, responsável e segura das tecnologias de informação e comunicação por crianças, jovens e adultos e, mais recentemente, cidadãos seniores. Membro do Conselho de Acompanhamento do Centro Internet Segura, do Board of International Advisors da Cybersafety India, do Conselho Consultivo da equipa Portuguesa do EU Kids Online, representa o Projeto MiudosSegurosNa.Net no Centro de Segurança Familiar da Google e no Centro de Segurança do Facebook. Representa o projeto StopCyberbullying em Portugal e foi avaliador externo do projeto Cyber Training – Taking Action Against Cyberbullying, uma iniciativa financiada pela Comissão Europeia que produziu um manual de formação para formadores no domínio do cyberbullying. É membro da International Bullying Prevention Association.

Vanessa Machado

Título da oficina: Os efeitos psicológicos dos abortos espontâneos repetidos

Resumo: A realidade do aborto espontâneo de repetição é, tanto a nível médico como a nível social, frequentemente silenciada. Esta omissão tem que ver com uma falta de apreciação dos efeitos que a morte fetal e o aborto espontâneo têm tanto na saúde da mulher, física e psíquica, como na dinâmica de casal. Todavia, deve considerar-se que a «morte invisível» é igualmente uma morte, e há um luto a ser feito: «um filho nos morreu». No que diz respeito à saúde da mulher, e a nível psicológico, o aborto espontâneo, se não for sujeito a um «processamento» adequado por parte da mulher, pode ser ocasião de graves conflitos internos, nos quais se põe em questão não só a capacidade reprodutiva da mulher, mas mesmo a sua aptidão para ser mãe, a própria feminilidade, e pode conduzir a um certo receio da sexualidade; é, além disso, um momento em que a mulher e o casal frequentemente experimentam grande solidão. Esta oficina de trabalho pretende sensibilizar a comunidade para a realidade anteriormente referida, ao mesmo tempo que dará oportunidade para que cada um dos participantes coloque as suas questões. Apontar-se-ão caminhos concretos para ajudar a gerir esta perda. Haverá também um tempo, no final da oficina, para quem deseje abordar algum caso mais específico.

Nota biográfica: Enfermeira especialista em Enfermagem Comunitária. Exerceu funções como enfermeira no IPO Lisboa e, como formadora, numa Escola Profissional. Há 6 anos está dedicada quase por inteiro ao Sistema FertilityCareTM, do qual é pioneira em Portugal. Diariamente, segue casais que procuram espaçar uma gravidez ou sofrem de infertilidade/aborto espontâneo e procuram uma alternativa mais natural. Atende ainda solteiras que buscam uma alternativa às abordagens mais substitutivas para os problemas do ciclo menstrual.
Colabora com os projetos Vinha de Raquel e Esperança de Ana, através dos quais lida com mulheres/casais que perderam bebés e esperam por um reconhecimento social dessa dor.

Victoria Cava

Título da conferência-espetáculo: De la oscuridad a la luz: el amor como triunfo ante la muerte

Resumo: El flamenco tuvo origen en España gracias a la aportación e influencia de otras culturas, llegando a establecerse como Patrimonio Inmaterial de la humanidad. Hoy realizaremos un concierto musical-didáctico innovador llamado “de la Oscuridad a la Luz: el amor como triunfo ante la Muerte” donde el flamenco será el eje estructural, pero insertando y destacando ritmos, oraciones, melodías y letras populares sefardíes, hebreas, arameas, islámicas, portuguesas, sufíes, romaníes y castellanas que combinadas entre sí nos guiarán por un maravilloso, terapéutico y trascendental viaje al que hemos llamado “De la oscuridad a la luz: El amor como triunfo ante la muerte”.
Este es nuestro modo de agradecer y valorar a estas sociedades que tanto nos han aportado para el nacimiento de nuestro arte flamenco, y que además nos posibilitan hoy poder utilizar su magia para dar luz, esperanza y fe. Este espectáculo será el eslabón que a través de la música nos recuerde que cada uno de los seres humanos Unidos y en armonía somos una de las notas que forman la gran partitura de la vida.

Victoria Cava: Voz y Guitarra
Andrés Hernández: Guitarra
Alberto Núñez: Violín
Carmen Cava: Palmas y coros
Pepe Abellán: Percusión

Nota biográfica: La española Victoria Cava es Doctora “Sobresaliente Cum Laude” en Educación por la Universidad de Murcia (España). Diplomada en Magisterio Musical. Licenciada en Periodismo. Máster en Estudios Avanzados en Técnicas de Comunicación y Máster en Educación y Museos. Doctorado de Flamenco, Educación Especial y Comunicación. Maestra de Música y Cantaora Profesional de Flamenco.
Desde muy temprana edad comienza como Cantaora Flamenca. Ha compartido escenario con grandes figuras como José Mercé, Moraito Chico, Eva la Yerbabuena, Arcángel, Medina Azahara, Alfredo Arrebola, Farruquito, etc., entre otras figuras internacionales. Ha participado como cantaora de flamenco y cantaora en otras lenguas (Hebreo, Arameo, Romaní, Ladino-Sefardí, portugués y Árabe) en Conciertos y Festivales Nacionales e Internacionales; como periodista y presentadora en diversos eventos de comunicación, y como maestra y doctora en numerosas Jornadas, Talleres, Charlas y Congresos Internacionales (España-Portugal). Ha realizado varias publicaciones de contenido educativo y musical, destacando en el año 2017 su Tesis Doctoral “Las Coplas Flamencas como Transmisoras Universales de Sentimientos y Herramienta Didáctica: Un Caso Aplicado Sorprendente”, calificada con Sobresaliente “Cum Laude” y considerada de interés científico y educativo mundial, al tratarse de un estudio pionero en el que el Flamenco sirve como terapia para el alumnado de educación especial.
Ha recibido diversos galardones y premios como reconocimiento a su Trayectoria Académica y Profesional. El Centro de Audición y Lenguaje Vicente Bixquert y el presidente de ASPANPAL (Asociación de Padres de Niños con Problemas de Audición y Lenguaje) le han entregado la “DISTINCIÓN HONORÍFICA DE ASPANPAL por su labor investigadora demostrando la vinculación directa del Flamenco como herramienta de mejora en los niños con Necesidades Educativas Especiales”. En junio de 2019 recibió, como Doctora y Cantaora, el PREMIO PIEDAD DE LA CIERVA “CIENCIA Y ARTE”, otorgado por la Asociación de Mujeres Científicas de la Región de Murcia (LYCEUM,) por su labor investigadora y por su contribución artística y educativa a la ciencia. Ha sido nombrada “EMBAJADORA CULTURAL, CIENTÍFICA Y MUSICAL MUNDIAL” por el Círculo de Desarrollo Humano con Salud Holosergético (CIDEHUSH) en Quito-Ecuador. En Octubre de 2019, la Universidad de Murcia (España) le otorga un Diploma de reconocimiento como “MUJER RELEVANTE por ser un referente de la sociedad murciana, dada su labor profesional que ofrece testimonio de su vocación de servicio y visibilidad a las mujeres siendo un ejemplo para todos”.  Recientemente le ha sido otorgado el Premio AELIP “VOLUNTARIADO” desde la Asociación Internacional de familiares y Afectados de Lipodistrofias AELIP, por su especial colaboración con esta asociación.